Monsanto

Hoje testei os meus novos ténis de trail North Face Ultra Guide GTX (soa a tuning) em Monsanto e gostei mesmo muito. Pensei que era o único maluco a chegar lá antes das 8 da manhã quando ainda era meio de noite, mas mal estacionei o carro na base, vi três corredores a trepar por ali acima e uma corredora a terminar o seu percurso exausta. Pois é, a cidade ainda dorme e já Monsanto tem os seus exploradores madrugadores. Contudo, tenho de dizer que durante 1 hora não vi absolutamente ninguém, apenas 2 ciclistas de btt, de tal forma é possível uma pessoa embrenhar-se em trilhos labirínticos. A topografia de Monsanto também não é exatamente propícia a quem não tenha algum espírito aventureiro. Se por um lado tenho uma certa pena que Monsanto seja tão ignorado por tantos lisboetas (que por outro lado sobrepovoam a zona ribeirinha ao fds), por outro acho que isso mantém Monsanto mais calmo e propício a divagações como a que fiz hoje. Conheço razoavelmente bem aquela mata pela prática de BTT, mas no BTT acho Monsanto um pouco “curto” e claustrofóbico. É complicado fazer 30km por lá, quanto mais 50km, temos a sensação de não sair do mesmo sítio e andar às voltinhas. Mas na corrida, o mesmo problema não se coloca. Com o ilotibial band syndrome não me apetece correr treinos mais longos em asfalto. Já é a 2ª lesão do género, agora na perna direita. Felizmente existe Monsanto que nos dá o luxo de correr rampas muito inclinadas, em terra batida ou gravilha e até em trilhos fofinhos da caruma dos pinheiros, o que permite um treino de força acrescida, mas sem os impactos inerentes à corrida em asfalto / passeio. O próprio trail educa a passada a ser mais curta e rápida por causa do terreno irregular e o pé a aterrar mais no “midfoot” e não no calcanhar, como sucede numa passada mais larga em terreno plano. É apenas preciso ter cuidado a descer, mas isso também se resolve escolhendo trilhos técnicos que obrigam a reduzir velocidade e a trabalhar os músculos do core (abdominais profundos etc.) No meio disto, é inútil pensar em paces, recordes pessoais, zonas cardíacas de treino ou outra coisa. A evolução é um pouco invisível, mas existe e o que se desenvolve naquele tipo de terreno acaba por ser muito útil em estrada (e vice versa, é preciso dizê-lo). Os quenianos têm pânico do asfalto, correm quase sempre a subir montes e em terra batida e dominam o circuito mundial. Eles lá sabem… Espero recuperar, até porque vou participar na corrida do ISCTE a 17 de Novembro e quero fazer um tempo inferior a 50:00. A mudança de ares está-me a saber bem, como umas férias dos meus quatro laboratórios (campo grande, inatel, estádio universitário e parque josé gomes ferreira) onde ando às voltas como um hamster numa gaiola, num cenário relativamente urbano, a controlar rigidamente os meus treino. Para me manter motivado entrei num desafio do Strava, conseguir pelo menos 1000 metros de altitude em 10 dias (ou 2000, quem sabe) Hoje consegui 280 metros, amanhã estimo perto de 500, no treino de 16km por Monsanto. Talvez consiga 2000 metros em 10 dias. Não é nada de mais, o tipo que lidera o desafio fez 2300 num dia e há corredores portugueses de ultra maratonas que vão facilmente atingir mais de 4000 metros se lhes coincidir com treinos e provas. Só os holandeses se queixam do desafio nos comentários!

Hoje desnorteei-me completamente entre o km 4 e o 5.5. Passei três vezes no mesmo sítio. Senti-me num quadro do Escher. Não fazia sentido nenhum do ponto de vista tridimensional. Eu metia-me num trail, dava lá umas voltas em espiral e voltava à estrada de onde tinha entrado no trail, apesar de me parecer que tinha estado sempre a subir ou sempre a descer, o que consiste num belo paradoxo. Escolhia outro trail e acontecia a mesma coisa. Nevoeiro, corvos a grasnar, bosque cerrado… só faltaram whitewalkers. Amanhã levo o GPS para os 16km, não posso arriscar a mesma brincadeira ou não chego ao carro…

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