Osudy dobrého vojáka Švejka za světové války

svejk

Já começo a sentir melancolia ao ver a espessura do molho de páginas que me falta ler a minguar e o lado que já li a ficar quase do tamanho do livro. Livro que, sendo um calhamaço impressionante, está irreconhecível. A capa desfeita e descolada, com os cantos encarquilhados de andar com ele debaixo do braço no metro, nódoas de molhos diversos, incluindo cozido, nódoas de condensação de copo de cerveja, cantos dobrados, cinza, guardanapos de café a fazer de marcadores quando não quis dobrar os cantos, algum muco de um espirro ou outro… Eu gosto dos meus livros assim depois de os ler, se bem que só livros enormes chegam ao estado deste Bom Soldado Svejk pois são expostos a mais quilometragem. É como com os meus ténis de corrida. Gosto de lhes ver a sola a gastar-se e de lhes pegar e saber que corri centenas de quilómetros com eles, foram meus companheiros de estrada. Um deles até tem uma enorme mancha de sangue oxidado que já não sai e de que me orgulho muito, uma coisa assim não se finge. Sou capaz de fazer uma prateleira lá em casa só para os deixar em exposição quando morrerem, ao lado dos livros, com etiquetas como “Saucony Triumph 10 Maratona de Madrid 2013-2014 -1200 km”.

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