o kaihōgyō de cada um

School of Neon Fusiliers

The Kaihōgyō (回峰行?) (circling the mountain) is a set of the ascetic spiritual trainings for which the Buddhist “marathon monks” (a term coined by John Stevens) of Mt. Hiei are known. These monks are from the Tendai school of Buddhism, a denomination brought to Japan by the monk Saichō in 806 from China.

Their quest is to serve Buddha through many duties but they are best known for their great spiritual effort and perseverance in ascetic practices. In particular a form of asceticism whereby the monks meditate on Fudo Myoo, chant his mantra and circumambulate a sacred mountain for many days in a row. The school is based north of Kyoto, at Mt. Hiei, which overlooks the ancient capital city.

The ultimate achievement is the completion of the 1,000-day challenge, which would rank among the most demanding physical and mental challenges in the world. Only 46 men have completed the 1,000-day challenge since 1885.

Year 1 Year 2 Year 3 Year 4 Year 5 Year 6 Year 7
30 (40) km per day for 100 days. 30 (40) km per day for 100 days. 30 (40) km per day for 100 days. 30 (40) km per day for 200 days. 30 (40) km per day for 200 days. 60 km per day for 100 days. 84 km per day for 100 days, followed by 30 (40) km per day for 100 days.

Quando comecei a correr, em Junho de 2013, conseguia fazer 5km, no limite e nunca tinha corrido na vida. Menos de um ano, 1000kms depois, e se nada de anormal acontecer, terminarei a minha primeira maratona de 42km. Depois disso, penso que vou treinar para uma ultra maratona e dedicar-me mais ao trail (corrida em trilhos de montanha). Não tenho qualquer espécie de talento inato e estou longe de ser um bom atleta. Não é preciso ser um atleta excepcional para correr mais longe e mais tempo. Seria bem mais exigente (e provavelmente impossível) eu pretender fazer os 10km em menos de 35 minutos (e o recorde mundial é 27). Ao contrário do que se pensa, há milhares de pessoas razoavelmente comuns – do ponto de vista físico, inato – que correm longas distâncias, evidentemente, após treino e terem completado maratonas e vários ciclos de treino. A questão é porquê? Para quê? Sou quase sempre encarado com incredulidade quando refiro este objectivo de longo prazo, mesmo por outros corredores que se focam em baixar os recordes pessoais nos 10k e 21k e para quem mesmo a ideia de correr uma maratona é um suplício desnecessário devido ao tempo que demora. E isto vindo de atletas que correm 5 vezes por semana, com totais que chegam aos 50-60km semanais facilmente. Para as pessoas que não correm então, isto assemelha-se, como alguém já me disse, a uma forma elaborada de suicídio.

Quando comecei a correr, lidava com esse problema: a sensação de não querer estar ali, de querer que aquilo acabasse. Podia ter isto mesmo em treinos de 30 minutos. A primeira vez que corri 1 hora de seguida num treino lento nem queria acreditar no quanto me custaram os últimos 5 minutos. O mesmo na hora e meia, uma eternidade. Por isso pensei ser impossível correr mais tempo. Mas descobri duas coisas. Com os tempos a aumentar, especialmente depois das 2 horas de seguida e agora nas 3-4 horas, tornou-se claro  que à medida que a dor e o cansaço aumentam, à medida que as endorfinas jorram nas veias, a existência do nosso corpo torna-se cada vez mais presente. E o universo que nos rodeia também: uma subida, o vento fresco, uma chuvada, o sol por entre as nuvens, lama, rochas, asfalto negro, fios de electricidade, um prédio, o sabor da água na sede, os ramos de uma árvore a contra luz ou o mantra do som dos passos. A pouco e pouco os circuitos mentais, tão ruidosos e omnipresentes, começam a desligar-se e focar-se nestas coisas.  Em certos momentos há uma euforia existencial difícil de explicar e que só experimentei muito superficialmente ainda.

Era impossível suportar as minhas corridas de 3 horas e meia se estivesse sempre a pensar “não quero estar aqui” ou com a cabeça noutro lado. Paralelamente, comecei a prender-me menos aos circuitos, a dar voltas nos mesmos sítios, especialmente nestas corridas longas. As distâncias maiores permitiram-me ir à descoberta de coisas e pensar em trails na natureza, o que também ajuda ainda mais, pois correr na natureza é um regresso a qualquer coisa inscrita nos genes de caçador colector. Uma janela de aventura real, sem ser pronto a consumir, virtual ou fácil. O meu kaihōgyō é este, são só umas horas por semana, mas fazem-me bem.

E para vocês, qual é o vosso kaihogyo?

3 thoughts on “o kaihōgyō de cada um

  1. Aproveito para te deixar os parabéns (atrasados) e um grande beijinho e dizer que admiro conseguires alcançar o que te propões. É saudável e raro.
    Beijinhos aos três.

  2. O meu, ao contrário do teu, torna-se cada vez mais difícil de atingir: ir a uma boa loja de discos uma vez por semana. Nem é preciso comprar; só preciso de uma loja de discos em que dê gosto percorrer as prateleiras, em que haja aqueles momentos de semi-erecção se encontras o primeiro single dos Popeline Beije ou aqueles momentos de riso sardónico quando vês que o máxi da Donna Summer, “Dinner with Gershwin”, está na zona da música clássica.

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