quanto mais experientes a gente estejamos, mais conhecimento tamos…

…melhor também estamos. Por isso, estou inscrito no DUT – Douro Ultra Trail na distância de 70 quilómetros e 4500m de desnível positivo a percorrer em menos de 16 horas de tempo limite. Não, não foi um acidente, um erro informático, um deslize do botão do rato ou algo do género, foi mesmo uma decisão intencional. Estou apenas repetir o padrão que me levou à maratona.

Também me inscrevi na maratona de madrid poucos dias antes de correr a meia. É um truque para me comprometer com um objectivo que me vai parecer impossível quando cruzar a meta da maratona exausto e a colapsar, como me sucedeu quando completei a meia maratona e amaldiçoei a ideia de me ter inscrito na maratona. Ou seja, antecipo-me ao bom senso e à realidade, antes que esta me meta juízo na cabeça. Reconheço que é aparentemente cedo e que tenho pouca experiência e que daqui até Setembro parece pouco tempo para treinar, mas também ouvi o mesmo quando me inscrevi na maratona e me mediram a febre. É uma questão de experiência. Citando o grande mister:

As pessoas às vezes parguntam-me, e o que é isso, experiência? Experiência é co-nhe-ci-men-to. Conhecimento.

Ora bem, os não-corredores muitas vezes manifestam uma grande falta de experiência nisto da corrida, logo, de conhecimento. É comum um não-corredor ficar impressionado com distâncias, mas tempos de prova são uma coisa mais abstracta. Não sabe que para uma pessoa podia ser muito mais difícil e ambicioso correr os 10km na casa dos 35 minutos do que completar uma maratona a correr com calma em 5 horas ou que o ritmo de uma Meia Maratona é apenas um pouquinho mais rápido que o ritmo de uma Maratona. O não-corredor também fica muito surpreendido ao perceber que não se correm maratonas para treinar maratonas e que o mesmo princípio se aplica numa ultra-maratona. Há mesmo um corredor de ultra-maratonas grego, de elite, o Yiannis Kouros, que muito raramente corre mais de 12km de uma vez e que vence provas de 160 km.

Bom, dito isto, onde é que eu ia… ah. Ah pois. Não me fartei das corridas de 10km, de 21km ou de 42km. E sobretudo, não me quero fartar. A ideia de treinar de novo para uma maratona e tentar bater um tempo, não me é tão apelativa agora. Esta é mais apelativa e sei que gosto mais de correr muito tempo do que pouco tempo (custa-me muito treinar só 30 minutos lentos por exemplo, não dá para ir a lado nenhum, anda-se às voltas ao parque, contam-se os minutos). Vamos ver se aguento a carga. Se aguentar, estamos bem. Se me lesionar, paciência, fico com a certeza que não consigo. A maior dificuldade vai mesmo ser o tempo disponível. O sacrifício não é só meu, é da minha namorada também. Vou ter de acordar de madrugada mais vezes para poder encaixar os treinos. E ser criativo. Vou muitas vezes a andar para o trabalho, são 5km, demoro uma hora. Mesmo a ir buscar a miúda à creche, posso correr 1km, vestido normalmente. Acho piada ao pessoal que passa a vida parado no sofá ou no escritório e só concebe o esforço físico dentro do contexto de um ginásio. Tudo, até pegar num bebé e levantá-lo no ar para cheirar-lhe o rabo a ver se se cagou pode ser um exercício de pilates por exemplo, se repetirmos o gesto algumas vezes para confirmar que não.

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