sexo fraco

Ora aqui está um excelente post da D.S sobre um estudo e a sua análise das diferenças de género na competição (com inequívocos reflexos no mercado de trabalho). Recomendo a leitura do mesmo, mas transcrevo aqui um pequeno parágrafo essencial:

«Mais rapazes preferem competir com outro/a colega do que raparigas. E o pior: a diferença aumenta com a idade! (olhem para o grupo dos 17/18 anos, meu deus). Porquê? Porque é que as raparigas se subtraem à competição muito mais que os rapazes, se têm exatamente as mesmas probabilidades de ganhar? Mais: porque é que se subtraem à competição mesmo quando têm mais probabilidades de ganhar do que os rapazes (na prova dos blocos, ligeira vantagem)? Basicamente, as conclusões do estudo são que as raparigas são mais avessas ao risco que os rapazes, e que os rapazes são mais otimistas em relação à sua performance que as raparigas. Ou seja, as raparigas têm uma perceção de que desempenham pior do que realmente desempenham, enquanto os rapazes têm uma perceção que desempenham melhor do que realmente desempenham. Umas são underconfidents, outros são overconfidents. E, como vimos, os estereótipos só pioram a underconfidence e a overconfidence de umas e outros.»

Isto reflecte-se mesmo no mundo dos negócios, da gestão ou da consultoria… Uma mulher de sucesso neste mundo – vamos colocar de lado o estereótipo das subidas “horizontais” e cunhas – tem de ter qualidades acima da média para compensar o problema da confiança, ou seja, em primeiro lugar, tinha de estar num patamar mais alto. Tenho sentido que há uma evolução. De facto, nem sei se podemos falar de evolução. Reparem, ninguém obriga ninguém a ser fã de blogues femininos cor de rosa completamente deprimentes em que mulheres soltam guinchos de histeria, subjugam-se à liderança da “fêmea alfa” que lhes consegue impingir descaradamente batons, roupinhas, perfumes, eventos e ganhar bom dinheiro assim. Nem vou entrar no degredo que são as comunidades online de mães portuguesas, muitas delas jovens e que se referem aos bebés como os pilocas e as bebecas e trocam receitas de arroz de pato e repetem ad nauseum todos os mitos urbanos que já as avós lhes contavam e abraçam o papel de mãe dos próprios maridos que parecem uns inúteis que nem fritar um ovo estrelado sabem. Ora bem, tudo isto é livre, não depende de quotas. Simplesmente é o que é, mulheres a abraçar o estereótipo com dentes e garras. E por isso, enfim, talvez as que não abracem estas coisas, possam tirar algum orgulho de serem mais especiais ainda. Estou a colocar de parte temas diferentes como violência sobre mulheres, assédio e toda a espécie de opressão que possa existir. Aliás, ao contrário do que eu esperava de mim, até achei que fazia sentido discutir o piropo na AR, porque colocava o dedo em cheio neste tema. Pelo menos discuti-lo. Sempre me espantou um pouco a cena do piropo ordinário aqui em Portugal e a naturalidade com que as pessoas aqui foram condicionadas para o achar normal. Muitas mulheres podem achar castiço, e os homens achar uma tradição cultural como a tourada.Eu não acho e já pensava o mesmo das praxes em 1996.

De resto, desde que não as impeçam a elas de subirem na vida, fazerem o que lhes apetece, enfim, não acho que se tenham de sentir mal por empatia com uma suposta irmandade de mulheres que não tenha tomates para se fazer à vida e que abrace o próprio estereótipo.

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One thought on “sexo fraco

  1. Tens uma espantosa facilidade em agarrar num facto, anunciá-lo como ‘motivo’ do post e fazeres antes uma agradável diatribe sobre as tuas opiniões.
    E é por isso que todos gostamos tanto de ti, não é, pequerruchinho?

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