conceitos

Há um tipo de restaurantes muito comum na zona do Cais do Sodré / Baixa Chiado que eu designo por “conceitos”. Aliás, um pouco por toda a cidade, os “conceitos” vão surgindo como cogumelos para, normalmente uns meses depois, encerrarem portas. Raros são os conceitos que sobrevivem depois do hype fugaz, sendo que alguns nem isso conseguem. Anunciar  “vamos almoçar a um conceito?” significa pagar mais do que a média por um serviço com empregados fashionistas entediados,  inexperientes, num local decorado com clichés e pastiche a armar ao genuíno que antes de o ser já o era, comer uma comida geralmente incipiente, quando não desastrosa e pelo caminho lidar com todo o tipo de atritos, desde a demora interminável até ser servido, à demora interminável a pagar porque o empregado está a aprender a lidar com o sistema durante as horas de maior movimento ou porque protestámos visto terem incluído na conta umas entradas a 4 euros que francamente, eram só umas tostas com uma colher de azeite em cima.

Na restauração, ainda mais do que na arte, o teste do tempo não filtra apenas as coisas melhores, também as vai afinando e transformando, visto que a arte é estática e um restaurante é um trabalho diário, contínuo, pelo menos, para os comensais que não sejam eles também, um conceito.

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