artaud, o pancadas

Ando a ler o Os Tarahumaras” de Antonin Artaud. Pensei que fosse mais um livro de corrida e ia metê-lo ali no blogue das corridas, mas pelos vistos não, é sobre os índios mexicanos, mas até agora fala de tudo menos deles correrem que se farta. O Artaud fala desconjuntivismo da sociedade e da linguagem, símiótica, antropagia, mistiquismo etc. Eu não percebo muito bem o Artaud mas fiquei aliviado de ler na sua biografia que esteve 7 anos internado num hospício. Aliás, basta ver a tromba de francês maluco:

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De resto, gosto muito do livro e ainda vou meter aqui umas citações para vocês se rirem. Agora não o tenho aqui à mão e não me lembro de nenhuma, mas são coisas assim do género, com caps e tudo:

e então eu deixei de ser eu e passei a não SER HUMANO PRÉ NASCIDO pelo ritual do CIGURI e os fantasmas que me brotaram do baço e fígado sob o qual fiz o sinal da cruz para os esconjurar e anteceder o homem mulher noite do esqueleto andante NO NADA! E o velho feiticeiro deu-me o peyotl e cuspiu um sopro entre dentes e pude retornar ao plano do intermédio entre a luz e a não luz de onde eu não era eu mas algo que regressava a um ponto DISTANTE e PRÓXIMO! IRRADIANDO A MENTIRA!

O Antonin Artaud deve ser daqueles gajos que constituem um azar extremo nos metros, no comboio, no barco… Aquele tipo que parece esquisito mas sossegado e que tem lugares vazios ao lado. E uma pessoa entra, senta-se ao lado, começa a mexer no telemóvel e o Artaud começa aos gritos  ao nosso ouvido “PORQUE A RAZÃO NÃO É DE TI MAS DE ANTI-TIS! Antitis alados pelas chagas de Cristo no VALE DO PLANO DO CIGURI INTERMÉDIO! REVELA-TE!” e uma pessoa finge que não ouve e tal, a ver se não o excita demais e ele começa a ser violento, a carruagem em silêncio, e o Artaud sempre aos gritos “o não ser é PERFEITO! na ante-noite da noite diurna!”

e ainda faltam 4 ou 5 estações.

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3 thoughts on “artaud, o pancadas

  1. “O Antonin Artaud deve ser daqueles gajos que constituem um azar extremo nos metros, no comboio, no barco… Aquele tipo que parece esquisito mas sossegado e que tem lugares vazios ao lado. E uma pessoa entra, senta-se ao lado, começa a mexer no telemóvel e o Artaud começa aos gritos ao nosso ouvido “PORQUE A RAZÃO NÃO É DE TI MAS DE ANTI-TIS! Antitis alados pelas chagas de Cristo no VALE DO PLANO DO CIGURI INTERMÉDIO! REVELA-TE!” e uma pessoa finge que não ouve e tal, a ver se não o excita demais e ele começa a ser violento, a carruagem em silêncio, e o Artaud sempre aos gritos “o não ser é PERFEITO! na ante-noite da noite diurna!”

    e ainda faltam 4 ou 5 estações.”

    Li o livro vai para uns 98 anos 🙂 e não me lembrava já destes episódios que transportaste tão bem para o quotidiano chalupa (mais em contexto urbano, que bem me lembro dos transportes públicos).

    Fez-me bem rir alto, gracias!

      1. Eu é que tenciono pirar-me, enquanto não me tornam por aqui uma espécie de Artaud de saias e valente bigodaça 🙂

        A bigodaça é o menor dos males, claro.

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