le pen

A entrevista ao der spiegel a Marine Le Pen (http://www.spiegel.de/international/europe/interview-with-french-front-national-leader-marine-le-pen-a-972925.html) no que respeita à UE e ao euro parece-me perfeitamente razoável e bem sustentada e uma visão necessária no palco democrático europeu. O argumento contra a imigração, não é sustentado, mas a meu ver é na economia onde o FN falha em toda a linha e me parece condenado ao fracasso, tornando-se até irónico o “i don’t want this european soviet union” da chamada de página. Le Pen defende uma mais que estafada, testada e falhada política de proteccionismo e nacionalização de empresas e sectores franceses. Não é novidade na França no século XX e na história recente da crise (veja-se o bailout à Renault). Portanto, segundo o FN, se uma empresa não é competitiva no palco internacional, mudam-se as regras por decreto, subsidia-se e, como por magia, resolve-se o problema, até usa a enigmática expressão “se uma empresa tem problemas, nacionalizamos até a estabilizar”. Portanto, uma gestão pública iria conseguir ‘estabilizar’ os Estaleiros de Viana desta vida. Se está contra a asfixia de impostos e a austeridade, já não vê qualquer contrariedade em dinheiro dos contribuintes sustentar sectores e empresas ineficientes, apenas porque são “francesas” e garantem “soberania”. Este tipo de modelos económicos também gera corrupção em maior escala o que, para além de tornar ainda mais ineficiente a economia, enfraquece muito a legitimidade de um governo. Le Pen pretende taxar produtos importados de economias sem as mesmas garantias sociais da frança, o que é bem intencionado em teoria, tão bem intencionado que é outro ponto em comum com a esquerda, mas na prática, numa economia globalizada, significa que as Renaults da vida vão comprar os plásticos chineses para fazer os tabliers ao dobro do preço e enterrar-se mais. Nisto, os franceses, com o tal novo franco desvalorizado que Le Pen defende (a par de um proteccionismo), vão empobrecer se quiserem comprar produtos importados (nesta economia tudo é directa ou indirectamente importado). A França, apesar de um franco mais barato, iria compensar com impostos elevados, políticas proteccionistas, um sistema de protecção social desenhado no pós guerra e, como tal não iria atrair investimento estrangeiro, anulando um dos aspectos positivos de uma moeda mais barata, a não ser que criasse regras especiais para grandes investidores (corrupção, alguém?) Por um lado, estou contente porque um partido que me é repelente no plano moral e ético não tem meio de criar uma potência à sua imagem na europa e está condenado a implodir caso alguma vez chegue ao poder. Por outro, fico um pouco frustrado por ver que uma crítica sustentada ao euro, à UE, à austeridade ou ao desequilíbrio de interesses dos países mais poderosos vs periféricos por parte da França, que seria um contra-peso necessário à hegemonia alemã, parece pertencer exclusivamente à agenda de partidos que não têm um programa económico credível e se limitam a debitar clichés e utopias, cavalgando a onda do ressentimento.

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