era de prever

E pronto, agora vem o desfile de textos “relativização do futebol” ou “como há 302924 mil coisas mais importantes” ou “o verdadeiro português é o imigrante que lava pratos em frança e não o Cristiano Ronaldo” etc. um cortejo de ressentimento, como se só nas nações atrasadas se gostasse de futebol e não fosse uma religião em Inglaterra ou não tivesse sido fundamental à devolução da auto-estima alemã do pós-guerra, como se só os incultos e brutos com ele pudessem vibrar e não os Camus e Nabokovs que a ele dedicaram páginas de prosa apaixonada. Do meu prisma, quem não entende a pureza dramática – já nem falo na táctica ou na estética – de um jogo de futebol, perde qualquer coisa de relevante, para além do elo de empatia com o comum dos mortais e um espectáculo global único. Isto não blinda, nem deve blindar, o futebol e a omnipresença mediática do que lhe é acessório a críticas severas que não me compete enumerar. Mas se querem mesmo ir pelo racionalismo e pela noção utilitária das emoções e do dinheiro e para onde acham que devem ser canalizados pelos outros, então por esse prisma talvez os fundamentalistas que conquistaram a província do Iraque e proibiram a música (haverá algo mais inútil?) se entendam bem convosco e possam trocar ideias. Deixo-vos com uma imagem do Cristiano Rolando num Lamborghini Aventator, um belo e raro exemplo de mobilidade social em que um carro deste tipo é conduzido por alguém daquele tipo.

E pronto, agora vem o desfile de textos "relativização do futebol" ou "como há 302924 mil coisas mais importantes" ou "o verdadeiro português é o imigrante que lava pratos em frança e não o Cristiano Ronaldo" etc. um cortejo de ressentimento, como se só nas nações atrasadas se gostasse de futebol e não fosse uma religião em Inglaterra ou não tivesse sido fundamental à devolução da auto-estima alemã do pós-guerra, como se só os incultos e brutos com ele pudessem vibrar e não os Camus e Nabokovs que a ele dedicaram páginas de prosa apaixonada. Do meu prisma, quem não entende a pureza dramática  - já nem falo na táctica na estética - de um jogo de futebol, perde qualquer coisa de relevante, para além do elo de empatia com o comum dos mortais e um espectáculo global único. Isto não blinda, nem deve blindar, o futebol e a omnipresença mediática do que lhe é acessório a críticas severas que não me compete enumerar. Mas se querem mesmo ir pelo racionalismo e pela noção utilitária das emoções e do dinheiro e para onde acham que devem ser canalizadas pelos outros, então por esse prisma talvez os fundamentalistas que conquistaram a província do Iraque e proibiram a música se entendam bem convosco e possam trocar ideias Deixo-vos com uma imagem do Cristiano Rolando num Lamborghini Aventator, um belo e raro exemplo de mobilidade social  em que um carro deste tipo é conduzido por alguém daquele tipo, que o merece.
Anúncios

4 thoughts on “era de prever

  1. “quem não entende a pureza dramática – já nem falo na táctica ou na estética – de um jogo de futebol, perde qualquer coisa de relevante, para além do elo de empatia com o comum dos mortais e um espectáculo global único” Tenho um amigo que costuma usar uma linha de argumentação muito (mas mesmo muito) semelhante mas relativamente a música clássica em vez de futebol. Parece-me que, em ambos os casos, o argumento assenta num desdém pelo gosto do outro em nada diferente das vozes críticas do “é só futebol”.

    1. É mais um desdém pelo não-gosto do outro. Eu oiço alguma música clássica mas confesso ser ignorante na matéria, como em jazz ou death metal. Mas se um apaixonado do género me disser “epá, não entendes a beleza do evangelho segundo s. mateus do bach” bom, eu gosto, mas gosto mais de outras coisas e que sim, haverá algo que me escapa. É diferente de dizer “a música clássica é uma seca” ou não presta. No entanto, o futebol não tem de todo o estatuto intelectual da “música clássica”. Nunca vi ninguém ser rotulado de ignorante por saber muito de música clássica 🙂

  2. Mas uma pessoa que saiba muito de música clássica mas, por exemplo, quase nada de geografia ou escreva com erros ortográficos na sua língua materna facilmente será rotulada de ignorante…. e na verdade também nunca vi ninguém a ser rotulado de ignorante por saber muito de futebol mas apenas se souber apenas de futebol e pouco ou nada de quase tudo o resto…
    Para mim, um jogo de futebol de alta de competição e um concerto de música clássica são equivalentes, ainda que sejam duas artes performativas (na minha opinião, futebol é desporto para quem joga mas não para quem vê) completamente diferentes. De uma delas, gosto muito e faz-me vibrar; a outra aborrece-me de morte. Não vou dizer qual é qual porque isso não deveria ser importante.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s