“Greta viveu um ano sem gastar dinheiro”

Esta notícia deixa-me confuso. Querem saber como seria “a vida em caso de colapso do sistema económico” mas depois a prática alimentam-se das sobras do capitalismo como as baratas do lixo. Aqui são as  boleias para fazer 1700km (boleias dadas por pessoas com carro e emprego), a comunidades de okupas em edifícios que outros construíram etc. E viveu sem luz e água? Como regou a horta urbana? Foi ela que escavou o furo no quintal ou trouxe baldes do regato mais próximo? Nunca entendi este espírito. Entendo e até admiro pessoas que ao rejeitar a sociedade se tornam auto-suficientes, por exemplo, numa quinta ou numa cabana num bosque. Por Deus, eu sinto esse apelo. Como sinto o apelo de fazer a tal viagem de bicicleta ou mesmo a pé / correr.  Mas à boleia? E esmola, já agora, para comer uma bucha? Nada contra, atenção, que as pessoas façam isto, enerva-me é atribuir a um parasitismo destes uma crítica à sociedade de consumo e tudo mais. Neste caso a hipocrisia é multiplicada por mil quando a experiência não passou de uma manobra de marketing temporária para depois lançar um livro alavancado pelos media que vão na conversa e adoram estas novelas e ganhar rios de papel no sistema capitalista. Recordo-me de ter vizinhos idosos no campo que viviam como monges, os gastos reduzidos a quase zero, uma agricultura de subsistência e nem frigorífico tinham. Mas o espírito freak, estas pessoas – quase exclusivamente jovens – que são muito críticos da sociedade e pró-ecológicos e depois estendem a mão a pedir esmola no chiado, fazem umas palhaçadas com umas maracas… acho aquilo tão humilhante. Ser livre é isto, é a hipocrisia de viver de boleias, esmolas e okupações? Não obrigado. Preferia ser empresário e levar capitalistas à falência com o meu super negócio e depois com o dinheiro fundar uma quinta e ter burrinhos que são uma espécie em perigo de extinção e eu gosto muito de burrinhos. E alugar um daqueles carros da polícia de choque, daqueles que tem um canhão de água, encher aquilo de champô e dar banho aos freaks que encontrasse na rua.

burro

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10 thoughts on ““Greta viveu um ano sem gastar dinheiro”

  1. Bom texto e subscrevo cada palavra. 🙂
    Não critico quem opta por ter estilos de vida alternativos. Cada um sabe de si e quem sou eu para o fazer. O que realmente não suporto é que quem vive em estilos alternativos não aceite quem vive em estilos ditos “normais”, se ache dono da razão e tente impingir esses ditos “estilos”. Confesso que perco a paciência.

  2. Do ponto de vista psicanalítico, o teu texto é interessantíssimo. Do ponto de vista ético, levanta uma série de questões que talvez um dia a gente discuta à volta de uns tremoços.

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