bebé do espaço

baby
Ontem, a propósito do filme de Kubrick e do bebé espacial que aparece a flutuar contemplando a terra, regressado do mundo alienígena, recordo a impressionante sensação que tive nas primeiras interacções com a minha filha recém-nascida. Parecia-me um ser de outro mundo. Não quero dizer que desconfiasse que a minha namorada tinha um affair com um Zupitu do planeta Zboirg, apesar dos Zupitus serem uma espécie de Don Drapers da galáxia. Mas uma coisa que não era e de repente é… Dois olhos castanhos a contemplar-me, calmamente e um ou outro sorriso que me parecia reconfortar a mim. Parecia-me que ela era a consciência superior que tinha descido à terra e nos tinha escolhido. E que eu me tinha afastado daquilo, daquela existência total e absoluta de quem vê o mundo pela primeira vez, sem aparentar surpresa por tudo ser como é, incluindo o pai que olha para ela embasbacado. A sensação foi-se diluindo à medida que ela foi parecendo um bebé e hoje, volvidos 11 meses, posso dizer que já olho para ela como uma pessoa com toda a personalidade e que parece que já faz parte da vida há muito. Mas aqueles momentos, os momentos zeros, são absolutos. Depois uma pessoa já nem se dá conta que estamos, ao fim e ao cabo, a flutuar no espaço.

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