favas e coentros.

Favas. Favas é de longe a pobre comida com que mais pessoas embirram. Até chegam a meter uma fava seca num bolo para partir um dente a alguém e obrigá-lo a pagar o bolo. Normalmente a criança é exposta à fava em tenra idade e raramente esquece a traumática experiência de provar o seu sabor  forte e untuoso. Não há referências na fava, é uma classe à parte. O seu inimigo mortal é a ervilha que se ri da fava, pois todas as crianças apreciam ervilhas. A fava é dos velhos, uma pessoa aprende a gostar de favas como de uísque. O truque é provar favas muito jovens, de preferência numa saladinha fria de vinagrete por exemplo. Comigo, por absurdo que pareça, foram as favas fritas,o snack  dos pobres, num parque de campismo, que me mudou para melhor. Depois temos os coentros.

Coentros são o inimigo nº1 de parte da população portuguesa que pede um arroz de marisco ou coisa do género. Pelos vistos, há uma propensão genética para detestar coentros, embora só afecte 10% das coentrofobias, o resto é mesmo gosto. O cozinheiro, bem intencionado, larga uma mão cheia de coentros picados no caldo para finalizar e dar um toque de contraste colorido no prato, mas para muito boa gente, isso equivale a largar lá para dentro um kleenex ranhoso ou uma pastilha elástica. A salsa está para os coentros como as favas para as ervilhas. Toda gente adora salsa, até é nome de dança, é leve, arejado. Coentro soa a coisa que sabe ao que soa. Como gostar de coentros? Não sei. Eu gosto.

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10 thoughts on “favas e coentros.

  1. Ora finalmente uma discussão que fazia falta ao país! porra leio o teu blog há meses e nadinha que se pudesse aproveitar. Bom é aproveitar que os próximos 42 posts são sobre corrida, pqp.

    1. Esse comentário contradiz-se em diversos paradoxos que eu não consigo desatar. Soa-me a “odeio os coentros que ponho na sopa todos os dias mas vá lá que há mais favas amanhã e estou zangado”

  2. Eis um adágio a propósito: É bem verdade que a salsa é uma erva liberal, contudo não é com salsa que se fazem açordas. Vou pensar noutro para as favas.

  3. Coentros e rabanetes não vão à mesa de não sei quem – nem à minha, tão pouco. Aliás, pouca gente vem à minha mesa, até poque a moça é piquena e pouco social. Não é com salsa que se fazem açordas, concordo: é com pão. E tu, Lourenço, se fazes mais um post tipo inquérito de verão, mando-te ir à fava enquanto a ervilha enche.

  4. Seria um debate interessante, a ontogenia e filogenia da açorda. Assiste-me pouco tempo, todavia, e não só por mor da misantropia. Resolvamos a questão chamando-lhe uma matéria de afectos ou coloquemos nas tuas sábias e economicistas mãos a destrinça de quem é o accionista maioritário da mixórdia.

  5. Que bom, ainda venho a tempo da silly season nos blogues 🙂
    Poderá haver ainda uma propensão genética para não se gostar de salsa mas gostar de coentros. Se ainda não há, eu estou a criar uma à força lá em casa.

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