na fronteira

Já o devo ter escrito a propósito da leitura de Homero ou de contos de Hans Christian Andersen, penso que a criação mais interessante começa quando sentimos que um artista se dá ao direito, a espaços, de ser absurdo e ter a mesma lógica inerente aos sonhos (sinto isso a ler Gene Wolfe no book of the new sun). O resto é funcional, prático e eficiente. Assim, para construir uma trama e suspense é necessário ritmo, um trabalho intelectual, de edição, até de marketing e para o qual é necessário quer a inteligência, quer a mestria de um paciente artesão (nos melhores casos) e muita prática. Mas depois há um lado oposto, pessoal, livre, ilógico, onírico, profundo, instintivo, límbico, que é onde os bebés e os cães vivem. Bem hajam aos artistas que conseguem ter um pé num sítio e outro noutro, pois de outro modo, sem uma componente estética ou intelectual reconhecível e familiar não é possível dizer nada, e sem um pé do outro lado do espelho, não há nada de relevante para dizer.

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