ohia

O olha dela soa mais a “ohia”. Ohia, ohia ohia. Indicador gorducho espetado para o alvo do seu interesse.Já me habituei. É como se tivesse um filha com síndrome de tourette. Já sei que se me aproximar do alvo do seu interesse e ela puder manuseá-lo, vai dizer algo como “oohhhhh” de espanto. Mas as pessoas não e então acham graça. Hoje estacámos ao pé de um arbusto, ela disse “ohia”. Aproximei-me com ela no baby carrier e ela alcançou um ramo seco no meio de ramos verdes que se desfez na mão e fez o “ohhhh” de espanto. Uau, um raminho seco, boa filha, continua assim que vais ser engenheira florest… calei-me. Aquilo mexeu comigo. Foi muito místico, uma revelação. Eu passo por aquele arbusto todos os dias. Nunca reparo nele, muito menos no raminho seco. É só um arbusto. Mas não está, naquele raminho seco, contido todo o mistério do universo? É preciso ela apontar para as estrelas? Para um arco íris? Não é tudo estranho e absurdo e infinito? Do cão à velha com a bengala na farmácia, do semáforo aos frangos no assador, ela saúda tudo com um “ohia” de espanto genuíno e interesse. Oíemos então. Oíemos senhor. Já se fundaram religiões com bases mais tremidas e dúbias.

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