reino unido?

Não percebo facilmente a euforia em torno do resultado de 54% pelo não à independência (e 46% pelo sim). Vejo uma Escócia dividida. Há tópicos diferentes, como a legalização do aborto: uma lei é aprovada, mesmo que por 2 ou 3% num referendo, mas na prática só pratica o aborto legal quem quer. Os partidários de um “não” não têm sobre si imposta nenhuma alteração. Num referendo pela independência de um país, o resultado vitorioso é imposto a 100% da população. Os que votaram “sim” à independência vão continuar a fazer parte do Reino Unido. É preciso compreender (não o fiz) quem vota sim e quem vota não e porquê. Qual é a orientação política dominante de um lado e de outro? Há regiões, manchas inteiras, em que o sim pela independência teve maioria absoluta e outras onde aconteceu o contrário? Por exemplo, se em Edimburgo ganhou o Não, em Glasgow, ganhou o Sim, com 54%. Que argumentos estão colados a uma e outra parte? Há diferenças religiosas, culturais, sociais? O Reino Unido vai mesmo dar mais poderes à Escócia? Manifesto o meu desconhecimento sobre estes temas, mas parece-me que apesar da vitória do Não ser inequívoca, será necessário encontrar cinzentos que acomodem 44% de eleitores do sim.

(um dado curioso, se não fossem as mulheres escocesas, o Sim teria ganho: “If only men were voting, Scotland would choose independence by 54-46 per cent. Among women, No holds a clear 57-43 per cent lead.”)

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3 thoughts on “reino unido?

  1. Parece-me que o contrário seria mais flagrante, por assim dizer. Se o sim tivesse ganho por 51%, metade da população passaria a ser estrangeira no que consideram o seu próprio país (quando fossem a Londres, por exemplo). Os cinzentos de que falas serão a ainda maior devolução de poderes. O Cameron já voltou a reiterar que haverá uma revolução nos quatro países que constituem o UK no sentido de lhes ser concedidos mais poderes, fiscais e orçamentais especialmente, incluindo à Inglaterra, o único dos quatro que não tem assembleia/parlamento próprio. Aliás, todo este processo foi extremamente interessante porque ficou visto desde cedo que qualquer que fosse o resultado no referendo as coisas não ficariam iguais do ponto de vista constitucional. Por outras palavras, a Escócia e especialmente o Scottish National Party ganhariam sempre.

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