botar o sulfato

A resposta esteve sempre à minha frente, ou melhor, cá dentro, atrás daquele ponto por cima do nariz, entre os olhos. Posso respirar melhor. É curioso como, por vezes, quando falamos com outra pessoa, descobrimos coisas que sabíamos só que nunca tinham sido verbalizadas e ou pensadas e por isso andavam naquele limbo interior, como os seres unicelulares naquela sopa primordial feita de aminoácidos, cinza vulcânica e meteoritos, sujeita a choques dos relâmpagos e que depois um dia crescem caudinha e barbatanas e dali por milhões de anos são um panda a mascar bambu. Tenho o meu panda. Agora é dar-lhe bambu. Devia trabalhar mais nas minha metáforas. Ando muito sensível, ultimamente, são tantas as coisas que me deprimem. Não posso ver noticiários, não posso ler crónicas (ainda no outro dia foi aquele texto do Rui Rafael sobre o Hawking que por ser ateu está na realidade a dizer que ele próprio devia ser eutanasiado). Hoje soube que o César Mourão vai fazer de Vasco Santana numas adaptações de clássicos portugueses, em breve o José Rodrigues dos Santos irá reescrever os Maias ou uma merda do género (não houve aqui há tempos uma cena assim? esperem, não quero saber) O mundo acabou. Não posso ouvir pessoas a falar. Há dias, no metro, ao ver uma pessoa a ler Gonçalo Tavares, ocorreu-me que o pior estado em que as pessoas podem estar é naquela transição entre a ignorância total de uma ameba e os primeiros passos  desajeitados na margem da civilização, uma cultura sem ironia nenhuma, que leva tudo a sério porque parece que descobriu um filão de prestígio. Então eu não fui assim, um dia? Creio que não, não, nunca fui. Nem sou daqui, eu, sou do campo. Aquele ar sóbrio que se vê nas apresentações de livros em livrarias design, peças de teatro fracas, exposições de arte má, de poesia conceptual… Haverá coisa mais triste do sítios com tão poucas mulheres bonitas e sãs e tão poucos homens que saibam fazer merdas de homem, úteis numa casa? Já nem digo na eventualidade de uma invasão de zombies. Eventualidade?

galeo

(é galego e a imagem foi roubada do facebook do Filipe)

Anúncios

5 thoughts on “botar o sulfato

  1. o meu sogro está sempre a falar do sulfato que tem de pôr nas árvores do pomar dele (na zona Oeste – onde é também o “teu campo”, não é?). Ele anda com um cilindro às costas, parece um allien futurista, e a mim sempre me pareceu que aquilo devia fazer mal a uma pessoa, porque deita pesticidas. Afinal estive enganada este tempo todo, leio aqui que faz bem porque é de homem. 😉

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s