uma vez

A vizinha do andar de cima, a P., de sta apolónia, vestia-se de negro, doc martins, pseudo-neonazi. Nada de filmes, ao pé dela eu era mentalmente são como um pastor alemão. Fomos amigos a partir do dia em que ela deslizou um bilhete para Queens of The Stone Age por debaixo da minha porta (trabalhava, acho, numa dessa promotoras, a música no coração). Não sei se havia algo, talvez houvesse, eu via-a tão vulnerável e pequena (cicatrizes nos pulsos, etc.) que não me passou pela cabeça, entrei em modo de irmão mais velho. Por acaso,  arranjei namorada, desapareci do mapa, não tinha tempo. Tentou matar-se, não por mim, óbvio, pela iguana de estimação, que lhe morreu. Depois deixou de pagar a renda ao meu pai e inventou uma merda a propósito de pulgas ou percevejos, tribunal, anos a fio uma foda, paguei mais ao advogado do que recebi do processo que ganhámos com um acordo e fiquei a odiar avogados para todo o sempre (se soubessemos tínhamos perdoado a merda da renda, foda-se). Bem, nunca meu esqueci da porra da música do Beck numa noite no meu ford escort, a última memória feliz sem confusões, ela a desatar a chorar e tentar compor-se (tratava-me por você) e e de como as mulheres são uma desgraça no que respeita a partirem-se todas em cacos à espera de ser coladas pelo príncipe encantado da merda dos livros que lhes dão a ler quando são pequenas.

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