os lobos de wall street do Livre

Já sei que sou ingénuo e que talvez não devesse ter feito like à página do Livre pela admiração que tenho pelo Rui Tavares, mas não consegui deixar de sentir algum choque com este comunicado do Livre que defende uma espécie nacionalização da PT, num arrojo à Lobo de Wall Street:

«o Livre propõe que o Governo, pelos meios ao seu dispor, dê indicações à Caixa Geral de Depósitos para recomprar ações da PT, hoje fortemente desvalorizadas. Desta forma, estará a defender o futuro da PT, protegendo-a do assédio de operações financeiras oportunistas e especuladoras, não deixando de realizar um ganho considerável, comprando hoje a mesma participação que alienou a preços mais altos (…) Propomos que o Governo, recuperada a posição do Estado na PT, empregue a sua capacidade renovada de participação nas decisões da empresa para promover uma agenda de emprego científico e de investimento em atividades (…)»

Por momentos, confesso que pensei que estava a ler uma página antiga do PCP que estivesse na cache do meu browser, mas depois lembrei-me que em 1975 não havia internet. Se as acções da PT estão ‘fortemente desvalorizadas’ e se estão assim tão seguros de um ‘ganho considerável’, admira-me que o pessoal do Livre não se junte todo para comprar uma participação na PT e financie assim as actividades do partido com os ganhos consideráveis.  Admito que possam não ter fundos para adquirir mais do que umas centenas de acções e que isto esteja na origem do problema. Mas a solução que nos apresentam é engenhosa. Há quem faça alavancagem com dívida bancária ou futuros, outros fazem alavancagem com aumentos de capital aprovados pelo Banco de Portugal a um mês de falir… o Livre propõe alavancagem com dinheiro do contribuinte! Assim, poucos membros de um partido ou, vamos imaginar, de um governo, poderiam decidir onde investir dinheiros de um banco do estado que é de todos, com a sua visão visionária visionadora, de onde esse dinheiro deve ser aplicado.

Mas não é comprar para especular, não senhor. É para gerir, como o estado gere tão bem as empresas públicas com os resultados que se conhece. Claro que isto levanta uma questão, vamos intervir na PT e deixamos a NOS de fora? E a Telecel (sim, não chamem Vodafone à Telecel que aquilo é português e estratégico) Esperemos que um dia o Livre possa colocar sociólogos bem intencionados em todos os CA das telecom portuguesas.

Entretanto, como nada disto parece em vias de acontecer, o que costuma ser o caso das propostas da extrema esquerda portuguesa que, no que diz respeito a economia, parecem seguir o lema do “mete a cassete, é indiferente, nunca vamos ser eleitos”, temos aqui concorrência às agências de rating, à proteste investidor e aos hedge funds. Não sei de que estão à espera para seguir o conselho do Livre senhores capitalistas deste país! A ordem é comprar. Mas comprar com juízo, não é para especular sem mais nem menos.

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