engatar

Sinistro, o que alguns homens conseguem fazer. Tenho um conhecido que, para ‘engatar’, vai mais pela lei dos grandes números, ou probabilidades, do que pela insistência creepy. É mais do tipo de, num bar, ir a descer de degrau em degrau nos alvos. Começa pela top model e vai por aí abaixo. Mesmo abaixo, especialmente se for uma discoteca de província vazia às 4 da manhã com a pista a fechar. Meu Deus. Sempre a disparar com a maior lata do mundo. Depois outra, outra, outra… Em 9 ou 10 quase sempre se ‘safa’. Aquela quantidade de rejeições não lhe afecta de todo a autoestima, o que é surpreendente. Eu nunca fiz essas figuras porque para mim seria inadmissível uma qualquer ignorante daí da rua rejeitar-me só porque lhe dá para isso e eu ali feito parvo. Faria ponto de honra explicar-lhe que não estava a perceber a situação, que eu, eu, é que lhe estava a dar a ela, ela, a possibilidade. Se mesmo assim não percebesse, explicava-lhe que eu também não queria nada com uma pessoa que cheira mal da boca e que não tinha percebido isso de longe porque estava a favor do vento. Depois faria questão de a adicionar nas redes sociais e postava-lhe fotos no mural com selfies de mim a ser espectacular em geral. Portanto, prefero fantasiar que sim, que se quisesse chegava lá à rapariga da carruagem de Metro, furava pelas pessoas e abordava-a aos gritos com algo descontraído como “desculpe, a senhorita por acaso gosta de literatura russa do século XIX?” e ela, erguendo os olhos da revista Tv7Dias e pousando o telemóvel com o berloque hellokitty e a capa lantejoulada me respondia: “oh, sim cavalheiro, adoro Gogol e Tchekhov.  Quanto a Doestoiévski…” e dizíamos os dois em coro a apontar um para o outro “…É DEMASIADO REALISTA! AHAHAHAHA”

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2 thoughts on “engatar

  1. Ouve lá. Por acaso, assim só mesmo por mero acaso, estarás tu a fazer troça das gajas em geral que não vão na cantiga dos gajos que se metem com elas e, no seguimento deste raciocínio, a fazer troça de mim em particular? Mau… :p
    É assim. Não tenho nada contra o facto de os gajos abordarem quem quiserem e bem entenderem, da top model à menos favorecida pela mãe Natureza. O que me faz alguma confusão é o método usado para o efeito e a consequente insistência desnecessária. Fazem-nos de parvas com a famosa treta do “conheço-te de algum lado”, quando está na cara que nunca nos viram mais gordas.
    Se fossem mais directos, talvez tivessem mais sorte. Ou não. Mas isso já é outra conversa e, pelo menos, poupava-se tempo, esse bem tão precioso 🙂

    1. Não estava a gozar nisso. Pela descrição do sujeito do teu post, a pessoa em questão é do tipo de deixar um rasto de ordens de restrições judiciais por onde passa. Sou até contra o piropo (sem ironia) e acho que esse tipo de abordagens se mistura rapidamente com uma agressão, uma invasão, uma perturbação… Acho isso imperdoável e acho que as mulheres deviam poder andar com “mace” ou gás pimenta nas malas e à 2ª insistência PFFFFFSSSSsTTT.

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