notícias do momento

1 – A declaração de Merkl foi descontextualizada como, aliás seria de esperar numa época em jornalismo se tornou mais preguiçoso e medíocre que parte dos seus ex-consumidores. A declaração completa, traduzida por Helena Ferro de Gouveia e que apanhei nas redes sociais:
«O discurso feito perante a Confederação Patronal tem seis páginas que abordam diferentes temáticas, quando se referiu à formação profissional versus licenciatura, Merkel disse que a Alemanha teria de dar o exemplo, só assim poderia convencer países como Espanha e Portugal a apostar mais no ensino profissional. O que disse exactamente a chanceler Angela Merkel foi o seguinte (numa tradução rápida, o texto original em alemão está no fim e alguém desejar o discurso pode pedir-mo por mensagem privada):

“Eu peço a todos vocês para tornarem claro nos vossos discursos em escolas e perante jovens : a formação profissional é um excelente pré-requisito para levar uma vida em prosperidade. Não tem necessariamente que se ter tirado um curso superior. Isto é muito, muito importante. Faremos tudo o que estiver em nosso poder, também a OCDE, que nos fornece muitos números úteis que admoestam que não é uma “descida” social, que o filho ou a filha de um trabalhador qualificado completa uma formação como trabalhador qualificado novamente e , em seguida, se tornar num bom técnico. Internacionalmente reconhece-se que não é uma “descid” e que isto não significa que o sistema de educação tenha fracassado. Temos que abandonar a ideia de que o ensino superior é o Nonplusultra para uma carreira bem sucedida. De outra forma não poderemos provar a países como Espanha e Portugal, que têm demasiados licenciados e procuram hoje vias de formação profissional, que isso é bom”.

Pronto, a partir daqui pode-se discutir se concordam ou discordam, mas daí até extrapolar para o que tenho visto nas redes sociais, noticiários, reacções de políticos que ‘surfam’ a onda do patriotismo etc.

2- Por falar em patriotismo, nenhuma empresa é mais “estratégica para os interesses nacionais” do que outra.  Não é de estranhar que Isabel dos Santos e a ZOPT que já detém 51% da NOS queiram avançar para a compra da PT anunciando, textualmente, que quer promover a “defesa do interesse nacional”. Trata-se do mesmo interesse nacional que consegue juntar Francisco Louçã, Freitas do Amaral, Bagão Félix, num movimento a defender uma intervenção do estado. Há poucos atalhos mais rápidos para o desastre como invocar esse vago conceito do “interesse nacional” que dispensa argumentação ou sustentação real. Esta costela patriótica (ou o seu inverso, a costela anti-alemã, anti-chinesa, anti-espanhola etc.) também gera incongruências, como a de Soares dos Santos, patriota, dizer que “detesta investimento chinês”, quando o próprio mudou a holding da Jerónimo Martins para a Holanda.

3- Nesta fase de eleições é natural ocorrer a criação de uma ilusão.  Vamos ver promessas absurdas como se a falência de um estado ou de uma empresa fosse uma questão de opinião ou orientação política ou estado de espírito e isto vai naturalmente notar-se muito mais no PS do que no PSD. Sucedeu exactamente o oposto quando este Governo foi eleito (não ia haver aumento de impostos) e vai continuar a acontecer enquanto os eleitores não privilegiarem quem for mais transparente e realista. Entretanto o PSD quer passar a imagem que o ajustamento foi um sucesso (não foi, como não podia ser) e para isso já forçou previsões.  Também suspendeu algumas reformas importantes. Nunca vi Bruxelas e o FMI tão mais pessimistas que o Governo nas previsões do deficit (2,5% iniciais do Governo contra 3,7%) e tão críticos quanto ao andamento das reformas. A um ano das eleições é muito mau sinal, sinal de que este Governo cedeu à demagogia e que lá para 2016 estaremos com outro resgate na mesa e outra vez sob alçada do FMI ou a, finalmente, debater um perdão total ou quase total da dívida, o que deveria ter sucedido já em 2010-2011 e devia ser um dos principais eixos de orientação de um PS que fosse relevante.

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3 thoughts on “notícias do momento

  1. 1. A frase não deixa de ser valorativa, inoportuna e irrazoável. Não é morte de homem mas é uma tonteria (outra) da senhora – que por ser outra se deve registar.

    2. Não há empresas mais estratégicas que outras – mas há sectores que o poderão ser. A mim ninguém me perguntou directamente se eu queria ou não privatizar o sector empresarial do Estado. Nem onde é que eu quero que essa privatização acabe. Se tivéssemos um Governo que considerasse que era estratégico garantir que as comunicações telefónicas e o acess à internet fossem um serviço público, era para o lado que eu dormia melhor (e mais leve, concerteza, pela acréscimo tributário que daí certamente adviria).

    3. Tens toda a razão.

    1. 1. Verdade, mas fora do contexto é pior, está mesmo a pedi-las. E não sendo relevante na discussão, considero o raciocínio dela válido.

      2. Onde traçar a linha? É uma discussão infindável. Por cada sector estratégico (o que é um sector?) há 100 que podiam ser mais estratégicos. Uma economia nem sequer tem sectores assim tão estanques, muito menos os grupos e holdings que têm participações e negócios diversificados. As fronteiras esbatem-se. Uma das grandes dificuldades e reformas actuais a fazer em Portugal aliás é uniformizar legislações, processos etc. que à luz do que são os negócios de hoje criam assimetrias injustas. Contudo, o estratégico tem normalmente implícito (ou devia ter) uma vantagem competitiva nacional evidente (ex: turismo, produção vinícola etc.). Aqui fala-se de interesse nacional, o que me deixa mais confuso e preocupado. Aliás, o interesse nacional é bem patente na Autoeuropa. É importante para Portugal? Sem dúvida! Em compensação, tem um regime fiscal próprio mais vantajoso. Porque é de interesse nacional. Tudo isto levanta questões.

      3. Não concordo.

  2. 1. Válido, o caralho. Válida seria a discussão sobre se sim ou não – e, se sim, quanto – se deve ligar educação e preparação para o mercado de trabalho.

    2. Lá estás tu, neoliberal das duas rodas… Se num ‘contrato social’ a maioria da população considerar que os recursos comuns (impostos) devem suportar serviços básicos como abastecimetno de água e saneamento, recolha e tratamento de lixo, saúde, educação, segurança, infraestruturas e equipamentos de transporte, serviços de telecomunicações e acesso à internet, eu subscrevo. Se considerarem que não, eu continuo a pagá-los mas a privados. Lá quem os gere melhor ou pior, isso já seria discussão para acabarmos ao sopapo e a pichar as paredes da igreja da nosa vizinhança…

    3. E eu discordo em absoluto.

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