ciclismo e mortes na estrada: os números

Tenho ouvido que o número de ciclistas mortos já vai em cento e tal e que o número de acidentes disparou etc. Não encontrei qualquer fonte, mas tendo em conta o talento dos nossos jornalistas para interpretar dados, preferi ver a fonte, o relatório anual da ANSR, em pdf e tudo. Página 18. O número de ciclistas mortos em 2013 foi de 20. Isso mesmo, vinte. Em 2012 foi de 20. Feridos graves foi 89, em 2012 foram 90. Feridos leves 608 vs 548. Bem diferente dos números apocalípticos que tenho ouvido. Ainda por cima já foram mais altos no passado: o relatório de Maio de 2014 (o último disponível) mostra que de Janeiro a Maio em 2005 morreram 18 ciclistas enquanto que este ano morreram três vezes menos: 6, no mesmo período. Tem sido uma tendência de descida constante (foram 8 em 2013). O que de facto aumenta é o número de feridos ligeiros, mas parece-me normal se o número de ciclistas aumentou substancialmente em 10 anos. O que me leva ao estudo espanhol do impacto económico do cicloturismo de 2014 onde se demonstra que nos países onde há mais ciclistas na estrada, há menos mortos. A correlação é perfeitamente inversa. Sendo Portugal o 4º país a contar dos últimos dos 27 no que respeita à utilização de bicicleta, tem uma taxa de mortalidade por mil ciclistas apesar de tudo elevada, semelhante a outros países onde não se anda muito de bicicleta (Espanha, Malta) comparado com os campeões Holanda, Dinamarca e Bélgica.

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