por enquanto perdi o melhor amigo

Os sintomas sempre lá estiveram, desde há pelo menos 20 anos. Antes do episódio psicótico e internamento no Júlio de Matos, passaram por feitio, um feitio que se foi afundando. Discussões, eu puxava por ele, num loop progressivamente mais longo e doloroso. Agora vejo tudo sobre outra luz. A fronteira não é assim tão ténue, entre lucidez e o seu o oposto que me recuso a nomear. É não ser capaz de ter a consciência de si. Se calhar, se me pedissem para assentar num papel tudo aquilo que foge de mim sem o meu controlo, eu talvez fosse capaz de fazer uma boa lista. Sou capaz de assistir a mim próprio, como a maior parte das pessoas. Ele não. A sensação de falar com uma superfície, com a espuma da crista de ondas de um mar profundo onde ninguém chega. De lhe dizer “olha que tal e tal, não faças isso, faz isto” e de ver do outro lado um sorriso tímido que esconde uma total indiferença. A tentação de desistir é muita, agora que tenho a minha filha e não tenho tempo livre para grandes audácias. Acho, neste beco sem saída, que a salvação reside numa obrigação, numa rotina em que o obriguem a agir contra a vontade dele, tudo fora da zona de conforto. Mas o que sei eu?

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