Nazaré de novo

E mesmo a fechar o ano, Nazaré e Portugal no topo. Do mais prestigiado prémio referente a 2014 XXL Billabong Big Wave awards, de melhor onda / ride temos 8 entradas, comparando com 9 ou 10 de Jaws  e, por exemplo, 1 de Teahupo’o. Não quero comparar spots e dizer que a nossa é melhor, mas é certamente diferente.

O ponto de vista dos dissidentes da Nazaré como Shane Dorian ou Laird Hamilton e tantas e tantas publicações é que se trata de uma onde mole que não é cavada, vai tipo avalanche do topo, não é vertical… Inveja. Deve doer muito para chegarem ao ponto de debaterem se a onda não é um embuste. É certo que a discussão da “maior onda do mundo” que tanto encanta os media (vê-se o mesmo a propósito de ultramaratonas) é um pouco enervante, pois para os leigos conta uma coisa medida em metros, é difícil avaliar a técnica e o perigo. Em parte há essa provocação, mas é claro que o problema maior é que custa crescer habituado a ser o maior de Jaws, Mavericks ou Teahupo’o e agora ver sítios como Nazaré vindos de não são se sabe de onde e lutar pelo protagonismo.

Mas por isso mesmo, é muito bom que um juri tenha escolhido oito ‘rides’ na Nazaré como best ride of the year. Oito. Não se trata de metros, mas sim de apreciação de um juri internacional. De resto, nem McNamara, Cotton ou Carlos Burle alguma vez reclamaram o recorde, limitam-se a estar lá, como cada vez mais big wave riders.

Já agora, a palhaçada do “não é cavada” deve-se a vários motivos, logicamente que por vezes a onda não rebenta sequer, o que é normal, mas o principal é a perspectiva frontal da maior parte das imagens, visto que na Praia Norte e naquele fundo de areia, não há lugar para ter barcos cheios de turistas e fotógrafos a 20 metros das ondas e de lado, como sucede em Teahupo’o ..

Tow-in surfing Teahupoo Tahiti

ou Jaws…

Jaws

A ausência de canal, isto é, uma zona de segurança onde o surfista pode ser recolhido ou fugir, é um dos factores que torna aquela praia tão assustadora em dias de ondas grandes.

Aqui um exemplo de uma foto da onda vista de perfil. Para fotografar de perfil tem de ser de teleobjectiva…
banner-nazare

É uma parede. Parece surreal. De novo, não quero dizer que é mais ou menos pesada que noutros sítios, a comparação é complicada, mas é sem dúvida mais pesada que a mais fotogénica Jaws. Os próprios responsáveis do Billabong XXL Award publicaram no facebook esta foto:
keali

acompanhada do texto:
Some critics have claimed the high cliff photo angle exaggerates the size of the waves at Nazaré. So BALEIXO Photography shot Kealii Mamala on this wave there on Saturday through the haze from down low, close to sea level. So how does it look from that angle? Still XXL?

🙂
Aqui Andrew Cotton prestes a ser engolido pela 2ª vez num wipeout deste mês de novembro que está a correr mundo:

cotton

O video completo.

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2 thoughts on “Nazaré de novo

  1. Gostei deste post. Não sou da Nazaré mas cresci lá perto, e é engraçado ver uma praia que foi proibida (e até ignorada) durante tantos anos, ser agora o foco de todas as atenções. Muitas vezes a praia do Norte era notícia por ser cenário de histórias menos felizes. Ainda bem que o tamanho e beleza das ondas começaram agora a contar outras histórias (também muito graças a quem teve a iniciativa de promover). Vale mesmo a pena ir ao farol ver a rebentação.

    1. É verdade. Todos os anos há turistas que se afogam por lá (é a minha impressão). Costumo ficar muito pelo Baleal – Peniche e já estive para ir ver as ondas. Um dia quero ir, mas irrita-me que elas não respeitem os fins de semana e os dias que tenho livres! 🙂

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