Francisco Assis

Em 2011 fui taxativo, foi mau para o PS José António Seguro vencer Francisco Assis. Os resultados foram expressivos, 68%, contra 32%. Brinquei muito com Seguro, mas sempre pelo lado do carisma. O homem tem uma espécie de carisma negativo, algo raro. Mesmo pessoas más ou com mau feitio acabam por ter carisma (João Jardim, José Sócrates). Não é uma apreciação ética. Depois há pessoas neutras (considero Passos Coelho algo neutro a nível de carisma mas isto é discutível). E depois há pessoas com carisma negativo em que cada pose, cada tom de voz, parece pouco natural e sorver carisma à volta dele. Isto somado a ideias sem sal, enfim. Não se podia esperar muito. Só consigo entender a lógica dos delegados do PS com a história das fações internas e tachos etc. que não me podiam ser mais opacas e indiferentes. Assis poderia ter espaço no eleitorado. Tem uma aura de pessoa honesta, inteligente e a sua acção demonstra liberdade de pensamento e desprendimento, para além de coragem. Apesar de não ser sempre alinhado, não é um outcast como Pacheco Pereira, é alguém que tem os pés dentro do partido e sempre considerei essa a postura mais corajosa e prática (ou então inventa-se outro partido). O ir à luta dentro das estruturas existentes ou o tentar criar novas, é completamente diferente de ser um mero opinion maker nos media. O primeiro obriga a concessões, a negociação, a realismo, para chegar a resultados. O segundo permite-se de viver num mundo sem restrições, em que não há realidade prática a tornar inertes as mais bem intencionadas utopias. Costa vs Seguro, primárias, ok, faz sentido em termos práticos, Costa tem de facto mais hipóteses de vencer Passos Coelho, mas em termos éticos é uma mancha. O outro foi um pouco oportunista e na aberta, esgotada a longa travessia do deserto, sem qualquer desgaste, zás. Não gosto muito de António Costa, não que o ache trafulha, mas simplesmente acho inconsequente, demagogo e superficial. É bom para gerir o dia a dia de uma autarquia em que não há (não parece haver) um plano estratégico, é uma coisa operacional. Para o país, as suas ideias até agora foram um manifesto desastre de demagogia e populismo. E Assis subiu ainda mais na minha consideração ao abandonar os orgãos coiso e tal e clarificar a sua posição que, aliás, tem toda a lógica e é transparente (é inequívoco que o eleitorado sabe que PS e PSD são muito mais próximos do que PS e PCP ou BE caramba e no passado o PS foi suficientemente hipócrita no tempo de Guterres para se ligar ao CDS/PP). Ainda há de chegar o seu dia, desde que seja resiliente e aguente.
Francisco-Assis

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