a árvore

Os regressos de bicicleta são infernais nesta época do ano com este clima. Vento gelado, com chuva ou sem chuva. Pressa, chegar à creche, apanhar a miúda, a tempo de um serão com qualidade de vida. Trânsito de dezembro, caos nos transportes. Stress. A estrada antes livre é agora uma procissão de luzes de stop vermelhas ou carros a acelerar furiosamente sem qualquer nexo de semáforo vermelho em semáforo vermelho. Sou obrigado a um slalom, por vezes opto pelo passeio, volto à estrada, não admito restrições. Quero o meu serão sossegado. O vento sopra frio contra mim, está gelado, mas sinto-me a começar a aquecer demais debaixo do casaco. Ajeito as luvas num semáforo. Meto o turbo no verde, o condutor atrás de mim decide que não vale a pena passar. O ponto de viragem é a alameda. É estranho, a almirante reis é chata como o raio, mas depois parece que o trânsito fica mais civilizado, mesmo que mais rápido.

Hoje, mesmo no fim, a chegar à creche, tive de repreender (com educação) uma senhora a passear na ciclovia com outra pessoa e um cão. Iam as duas a ocupar toda a ciclovia de costas na conversa, o cão a farejar com uma trela comprida. Topei o cachorro: muito excitado, aos pulos, vi logo o que podia acontecer. Saí da ciclovia e dei larga margem, mesmo assim o cão deu mega salto direito a mim, esticando a trela. Travei a fundo e disse à senhora para ter cuidado com o cão na ciclovia, ela pediu desculpa. Não sou fundamentalista, também ando nos passeios, o que não gosto é quando vejo 2 pessoas de costas a ocupar toda uma ciclovia, as duas faixas quando existe, atenção, 3 metros de largura de passeio meios ao lado. Até podia andar na ciclovia, desde que estivesse atenta e consciente. Bem, siga. Vejo a minha filha na creche, segue-se o ritual de preparação para a viagem, luvinhas, casacos, capacete, baby carrier, beijocas, tchaaaau. Voltamos muito devagar. Está escuro, há folhas a voar. Hoje veio calada, sonolenta. Por vezes levanto-lhe o capacete um pouco para ver se está tudo bem. Muito séria, pensativa, a ver a cidade a desfilar, o vento frio a roçar-lhe o nariz, mas pouco mais que vai bem embrulhada. Conversamos sobre nada. Eu falo, ela diz “schim” ou “nãao” sobre qualquer assunto. “Achas que o Obama fez bem em reatar relações com Cuba? – Schim”. Sim. Passamos pelo minipreço para umas compras rápidas. O coração encostado ao meu, chegamos quentinhos a casa. Acendo a árvore de natal, é a primeira vez que faço uma em casa.

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2 thoughts on “a árvore

  1. 🙂

    Podia comentar de novo que tens muita pinta enquanto pai, mas detesto repetir-me, pelo que o sorriso supra é um abraço para duas, a Júlia e a sua mamã. Vai lá enfeitar a árvore 🙂

    Caraças, afinal eram três, os sorrisos, sou mesmo uma gaja das letras!

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