calçada de Santana

Uma vez por semana pelo menos costumo fugir à rota habitual de bicicleta casa-trabalho. Tenho cinco rotas com pequenas variações. Quase todos os dias é a mesma, chamo-lhe o “clássico”: avenida de roma, alameda, almirante reis, rossio, chiado (99% das vezes no sentido inverso, a voltar à noite), demoro cerca de 16-20 minutos para 5.5km. É esta porque é a mais directa e rápida. Tenho o caminho desportivo cénico, em que vou pela ciclovia da avenida do brasil, belavista, olivais, parque das nações, santa apolónia, terreiro do paço, chiado. Esta é a mais bonita e divertida, assim como a mais segura (90% ciclovia), mas demora perto de 50-60minutos a andar bem, são uns 15km e deve-se evitar dias de vento de oeste. Depois tenho outra que é a ‘do parque eduardo VII’. Vai-se até ao jardim do arco do cego e daí pega-se a ciclovia da duque d’avila, e tuca tuca tuca até ao parque eduardo VII, marquês, avenida da liberdade, rossio, chiado. Tenho a uma ainda mais cosmopolita e central a que chamo de ‘cosmopolita central’. Esta vai de entrecampos ao saldanha, picoas, marques, avenida da liberdade, tudo nas vias principais. É muito divertido fazer a rotunda do marquês de bicicleta, aconselho se forem pessoas de pedalação rápida e descontraídos, de outro modo podem entrar em pânico.

E depois tenho um caminho que chamo o “alternativo do empeno”. O alternativo do empeno como o nome indica, é reservado para dias em que estou cansado e não consigo aturar o ritmo frenético do clássico em que tenho de jogar com as faixas, carris no chão, ultrapassagens etc. É o caminho mais sossegado possível, mas ao mesmo tempo o mais directo possível. Roma, etc. etc. até ao jardim do arco do cego, vai para o jardim da estefânia, passos da raínha e o belíssimo jardim do Campo Mártires da Pátria [anteriormente conhecido como Campo de Santana (anteriormente conhecido como Campo de Santa Ana)]. É daqueles sítios de Lisboa que uma pessoa não tropeça lá sem querer com facilidade.

(esta a foto não é minha):

campo santana

Pedala-se mais um pouco e chegamos ao apogeu deste bonito caminho: a calçada de Santana.

(a foto não é minha)

santana2

Hoje a descer isto tive um daqueles momentos que aparecem em segmentos de 3 segundos num video de promoção de Lisboa junto do target urbano jovem trendy. À minha frente, o Tejo azul, a rua estreitinha a pique, um pombo a levantar voo à minha passagem, recortado no céu, duas velhinhas a conversar à ombreira da porta. Corta para plano de charrete em Belém com um casal de turistas ingleses idosos de mão dada. A passagem pela calçada é vertiginosa. Este caminho tem o detalhe de ser plano quase sempre e depois resume-se a uma descida: esta. É por isso que não o uso a voltar para casa, porque nesse contexto, a descida transforma-se em subida e é preferível distribuir a subida pelos 3km da amirante reis do que pelos 200 metros da calçada de santana. É muito importante saber utilizar um plano inclinado correctamente.

Gosto de imaginar como seria esta calçada antigamente. Hoje vemos a distribuição moderna a entregar bilhas de gás ou grades de sagres, estudantes, as referidas velhotas, pessoas à porta de tascos a fumar um cigarrito. De facto, não haveria grandes diferenças

(esta foto fui eu que tirei)

santana1

No fundo, a diferença eram as roupas das pessoas. Na foto acima podemos ver os hipsters da altura que já alugavam estes apartamentos quando andavam no Erasmus.  Hoje a cena é o look lenhador barbudo, na altura reinava o look campino arraçado de cowboy americano.

Passado isto, a coisa estreita ainda mais e fica turtuosa, há estabelecimentos geridos por indianos curiosos, e depois na calçada garcia temos um mini mini cheirinho de Lisboa decrépita como convém,  uns metrinhos de prédios devolutos, tão devolutos que nem os okupas os kerem para hortas urbanas. E desembocamos no magnífico rossio que até parece mentira, logo ao lado do teatro nacional e perto da ginginha. Tempo total, 25-30 minutos, dependendo da pressa que um individuo tenha.

 

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5 thoughts on “calçada de Santana

    1. boas bikes, as dahons e vivam os alforges da Ortlieb! (por acaso, os meus têm 3 ou 4 anos e estão novinhos, o raio do produto é bom, os outros que tenho noutra bicicleta em Peniche da decathlon já se desfizeram)

  1. Tenho dois dos grandes e o que uso sempre está já um pouco escavacado, mas é deveras resistente. Gosto muito!
    Quanto à bicla, custou-me a habituar ao tamanho, mas agora acho-a uma maravilha. Versátil até mais não!

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