e por cá, em 2014

“a TAP é fundamental pois, na era da globalização, tem a importância que as caravelas tiveram na era dos Descobrimentos” – António Costa, em mais uma demonstração de lucidez patriótica que lhe é característica e que o qualificam para timoneiro desta nossa Grande Nação. Sabemos que estamos perante um político ao serviço do Bem quando este, ao tornar públicas as suas profundas e pertinentes cogitações a propósito de produtos e serviços, empresas ou negócios, ouvimos termos como: “defesa da nação”, “no interesse dos portugueses” e “sector estratégico para o país”. Estou muito mais descansado, agora. Em 2012 sugeriu a criação de um gigante da aviação com a fusão da TAP com companhias aéreas da américa latina, em concreto a brasileira TAM e a chilena LAN e infelizmente ninguém lhe ligou nenhuma, perdeu-se uma grande oportunidade estratégica de interesse nacional para os investidores. Agora temos de reconhecer grande, enorme ambição nas suas ideias quando nos propõe um futuro alternativo em que a TAP fica sob controlo do estado, os seus trabalhadores recebem uma parte da empresa, os sindicatos continuam a colaborar como têm colaborado no sentido do interesse nacional estratégico e mesmo assim haverá investidores dispostos a comprar por um preço estratégico e de interesse nacional o que puderem. Até vão fazer fila. Gosto desta forma optimista de ver as coisas. Gostaria de ouvir as ideias patrióticas e estratégicas de António Costa sobre outros sectores, o país precisa. Qual a sua opinião sobre a panificação? Será o Bimbo o equivalente dos moinhos de trigo da era medieval?

 

 

 

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4 thoughts on “e por cá, em 2014

  1. Acho bem mais flagrante a hipocrisia do governo, que quer vender a TAP porque é uma empresa como outra qualquer, mas depois faz uma requisição civil (ilegal, ainda por cima) porque quer assegurar um interesse nacional importantíssimo que é os emigrantes virem a Portugal passar o Natal. Em que ficamos afinal, é uma empresa que presta um serviço de interesse nacional ou não é?

    1. Não creio que essa comparação faça muito sentido… A questão aqui é o prazo, as viagens marcadas, a ausência de alternativas em tão curto espaço de tempo… Se a Tap for vendida, de certeza que terá na mesma interesse em fazer ligações para os imigrantes virem cá passar o natal. A British Airways é totalmente privada desde os anos 80. Tens dificuldades em voar para o reino unido?

      Se não for vendida e se extinguir, haverá de certeza outras companhias aéreas interessadas em transportar pessoas do ponto A para o B.

      Eu sou belga. A Sabena era a companhia bandeira e desapareu em 2001. Tenho conseguido voar para bruxelas mesmo sem ela. Aliás, nunca voei na Sabena, curiosamente, mesmo quando existia. E consta que há mais gente que consegue fazer isso. A alitália, a swiss air ou a varig desapareceram e também me constou que continua a ser possível ir para esses países. Há muito tema de esquerda para defender, este é um em que a mesma se enterra forte e feio. Não acusei o António Costa de hipocrisia, o que ele defende é aquilo e é bastante claro.

      1. Curto prazo, como assim, a greve foi anunciada quase com um mês de antecedência… Ainda assim os argumentos do governo não se prenderam com o curto prazo, prenderam-se com a responsabilidade que a TAP teria em ligar a diáspora portuguesa à pátria numa altura tão especial do ano como o Natal. A expressão “interesse nacional” veio várias vezes à baila. Se isto é um serviço de caráter tão importante que implica o corte de um direito fundamental dos trabalhadores como o da greve, está só a legitimar quem defende que a TAP é uma empresa de interesse nacional.
        Que há mais alternativas à TAP, claro que há, especialmente na Europa. Eu vim passar o Natal a Portugal e não viajei na TAP. Não estou a defender que a TAP não deva ser privatizada, estou apenas salientar que a posição ideológica do governo está carregadinha de contradições. E é uma posição ideológica, tanto a venda como a recapitalização da TAP. A posição da esquerda é só mais clara.

      2. Teria de entender o volume de cancelamentos, se há alternativas e qual o custo para os imigrantes para ser mais conclusivo, mas também não sou a favor da requisição civil que neste contexto é ideológica como dizes. O Governo aproveitou para bater o punho na mesa e ficar bem junto do eleitorado (penso que a generalidade das pessoas e é isto que o Costa tem dificuldade em entender, considera que os sindicatos da TAP só se preocupam com os seus interesses e são privilegiados e não está do lado deles nesta situação) Acho clara e coerente a posição do PCP e de outra esquerda, não acho nada claro o modelo misto do Costa, esta venda, mas mantendo a posse. Quanto a coerência e clareza, o PS já defendeu a privatização total da TAP ainda agora no PEC 3 que assinou.

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