chuva fantasma

Por vezes acordo a meio da noite oiço uma chuva inexistente a cair sobre o bairro. Fico acordado a ouvi-la um pouco, relaxa-me. É um murmúrio semelhante ao barulho do mar distante ou de um búzio encostado ao ouvido. Aconteceu-me ficar surpreendido por, algumas horas depois, ao sair da cama e ir à janela, ver que afinal está tudo seco e que não passou, outra vez, do fenómeno da chuva fantasma. Agora já não fico surpreendido, ainda hoje a ouvi, eram três ou quatro da manhã e soube logo que era ela a cair sobre a minha casa. Há diferenças face a chuva real, não oiço pingos individuais a crepitar nos estores nem rajadas de vento. Sei que se me levantar para beber água, a chuva desaparece imediatamente ao menor som, como o dos meus passos ou um interruptor de luz a fazer clique, por isso fico quieto, a ouvi-la regar-me os fantasmas das flores mortas e secas nos vasos da varanda.

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