pom pom pom petit pata pom pom

O Ariel Pink tem em comum com o R.Stevie Moore um talento inacreditável para fazer canções sem esforço aparente em todos os estilos musicais que existem à face de terra e em quantidades industriais. Os discos sucedem-se como fotografias da inspiração genuína (ou falta dela) dos dias em que as canções foram escritas e gravadas. As canções, mesmo as que emulam estilos e referências populares, nunca se atolam nos clichés dos géneros. O gajo re-inventa o que parecia não ter saída. São estupidamente catchy para quem não se afugentar com a produção que tende a ser crua e frenética em muitas faixas, especialmente as mais antigas.
Hoje descobri este artefacto:

(e sim, estou a fazer powerpoints e a analisar dados financeiros em casa a poucos dias do Natal, como é que adivinharam?)

e por cá, em 2014

“a TAP é fundamental pois, na era da globalização, tem a importância que as caravelas tiveram na era dos Descobrimentos” – António Costa, em mais uma demonstração de lucidez patriótica que lhe é característica e que o qualificam para timoneiro desta nossa Grande Nação. Sabemos que estamos perante um político ao serviço do Bem quando este, ao tornar públicas as suas profundas e pertinentes cogitações a propósito de produtos e serviços, empresas ou negócios, ouvimos termos como: “defesa da nação”, “no interesse dos portugueses” e “sector estratégico para o país”. Estou muito mais descansado, agora. Em 2012 sugeriu a criação de um gigante da aviação com a fusão da TAP com companhias aéreas da américa latina, em concreto a brasileira TAM e a chilena LAN e infelizmente ninguém lhe ligou nenhuma, perdeu-se uma grande oportunidade estratégica de interesse nacional para os investidores. Agora temos de reconhecer grande, enorme ambição nas suas ideias quando nos propõe um futuro alternativo em que a TAP fica sob controlo do estado, os seus trabalhadores recebem uma parte da empresa, os sindicatos continuam a colaborar como têm colaborado no sentido do interesse nacional estratégico e mesmo assim haverá investidores dispostos a comprar por um preço estratégico e de interesse nacional o que puderem. Até vão fazer fila. Gosto desta forma optimista de ver as coisas. Gostaria de ouvir as ideias patrióticas e estratégicas de António Costa sobre outros sectores, o país precisa. Qual a sua opinião sobre a panificação? Será o Bimbo o equivalente dos moinhos de trigo da era medieval?

 

 

 

feminismo versão revista maria

Pois é. Só aguentei 10 segundos do video  até ao plano da Catarina Furtado com ar dramático a dizer que tem constatado que não há nenhum ser, à face da terra, mais forte que a mulher (acho que é exagero, então e aqueles elefantes que carregam troncos na índia? será que a Catarina já constatou esses elefantes?) Depois de me rir um pouco tentei ver o resto e não consegui.

Um dos principais obstáculos à emancipação de uma minoria de mulheres reside na maioria de mulheres que é simplesmente bronca, como sucede com os homens e os elefantes na índia. A questão é comum a todas as causas e todas as espécies.
Nas poucas ocasiões em que me tentei misturar com uma massa de seres pensantes a propósito de uma causa, saí de lá sempre desiludo, quando não enojado e segue-se um período de reflexão em que eu penso em onde errei e como fui cair naquilo, como me misturei com aquelas bestas.

O ser contra,  dou de barato. É fácil todas as feministas do mundo serem contra a violência doméstica (é bastante óbvio até), como todas as manifestações do mundo serem contra a pobreza ou o desemprego ou uma guerra imbecil. O problema grave começa no “a favor”. Isto é, o que defende esta gente? Querem o quê? Gostam de tomar banho? Onde querem chegar?  Quem que eu pague a RTP e a TAP?

Qualquer tentativa de abraçar um massa de gente demasiado grande (mais do que 4, 5 pessoas no fundo), mesmo nas franjas, redunda em profunda desilusão. Eu até no futebol sinto isso, não gosto por aí além de ir ao estádio e ver tanto ódio e zanga à minha volta e tanta incompreensão primária pelo que estão a assistir.  Existe uma pirâmide e pronto. O Maria Capaz está para o feminismo como Richard Clayderman para Schubert. É piano, e chega.

pára tudo! façam filhos já!

Todos dias faço o check à order da minha auto-prenda de Natal deste ano no ebay:
ironman-22

 

UM BOB IRONMAN RUNNING STROLLER! 😀 Não é fixe? :D!!!!! Mete-se um bebé ali dentro  ou mesmo uma criança até 30kg e corre-se com ela! Digo-vos, se soubesse que estas coisas existiam, teria tido filhos e começado a correr há muito mais tempo. O carro é muito seguro, tem travão e um arnés de 5 pontos de fixação, a roda da frente é fixa para o carrinho não virar de repente.

Por onde anda agora? Impressionante as voltas que as ecomendas nos EUA dão até chegarem a um centro que despache isto num vôo transatlântico. PITTSTON PA, LEWISBERRY PA, INDEPENDENCE KY, Erlanger KY… já fez 750km nos EUA da costa Este para o interior. Wtf? E agora é tudo NA –  IN TRANSIT WITH CARRIER, há 5 dias. Começo a desconfiar que lá nas terras do tio Sam um funcionário da Fedex tomou o gosto ao carrinho e está acorrer pelos EUA com o seu bebé confortavelmente instalado ou mesmo um animal doméstico, tipo cão. E depois lá envia o carrinho e isto vem cheio de pêlo e a cheirar a cão. Mas compreenderia.

Não sei do que estão à espera!  Encomendem e façam já um filho a alguém ou deixem que vos façam um filhoa vocês no caso de serem mulheres. Mulheres, se não têm parceiro, não percam tempo num banco de esperma a preencher a papelada inútil entre vocês e um BOB IRONMAN! Um copinho de plástico e um discreto email para os colegas homens do escritório resolve isso. Se forem homens, arranjem um emprego, uma boa situação de vida, aprendam a cozinhar e no entretanto peçam uma criança emprestada  a um familiar ou amigo enquanto o vosso BOB IRONMAN não vem!

 

ps: já perguntei aqui como é que aqueles bloggers fazem para as marcas lhes darem coisas de borla?

fechar da trilogia da bicicleta com um post fútil

encerro a trilogia da bicicleta apenas para dizer que hoje foi provavelmente a viagem de biccleta mais gelada que já fiz sem ser em dia de chuva. 6ºc mas que ao vento e com combinação de nevoeiro, sabiam a 2 ou 3cº.  As mãos gelaram. Não levei as minhas luvas mais quentes, mas mesmo que tivesse levado, não teriam protegido muito mais. Fui com o buff metido até ao nariz. Agora percebo porque noutros países há pessoas que gastam uma pequena fortuna para comprar luvas e casacos da Rapha, uma marca que veste a Team Sky e que tem uma linha urbana com muitos toques retro bem fixes.

rapha_gloves

190 euros o par. Oh yeah. Em Lisboa isto dava para usar umas 10 vezes por ano com boa vontade. Mas lá que os gajos têm cenas fixes, têm. Como é que se faz daqueles blogues em que nos oferecem cenas para influenciarmos as nossas vastas audiências a comprar aquilo que nos deram a nós de borla?

 

a árvore

Os regressos de bicicleta são infernais nesta época do ano com este clima. Vento gelado, com chuva ou sem chuva. Pressa, chegar à creche, apanhar a miúda, a tempo de um serão com qualidade de vida. Trânsito de dezembro, caos nos transportes. Stress. A estrada antes livre é agora uma procissão de luzes de stop vermelhas ou carros a acelerar furiosamente sem qualquer nexo de semáforo vermelho em semáforo vermelho. Sou obrigado a um slalom, por vezes opto pelo passeio, volto à estrada, não admito restrições. Quero o meu serão sossegado. O vento sopra frio contra mim, está gelado, mas sinto-me a começar a aquecer demais debaixo do casaco. Ajeito as luvas num semáforo. Meto o turbo no verde, o condutor atrás de mim decide que não vale a pena passar. O ponto de viragem é a alameda. É estranho, a almirante reis é chata como o raio, mas depois parece que o trânsito fica mais civilizado, mesmo que mais rápido.

Hoje, mesmo no fim, a chegar à creche, tive de repreender (com educação) uma senhora a passear na ciclovia com outra pessoa e um cão. Iam as duas a ocupar toda a ciclovia de costas na conversa, o cão a farejar com uma trela comprida. Topei o cachorro: muito excitado, aos pulos, vi logo o que podia acontecer. Saí da ciclovia e dei larga margem, mesmo assim o cão deu mega salto direito a mim, esticando a trela. Travei a fundo e disse à senhora para ter cuidado com o cão na ciclovia, ela pediu desculpa. Não sou fundamentalista, também ando nos passeios, o que não gosto é quando vejo 2 pessoas de costas a ocupar toda uma ciclovia, as duas faixas quando existe, atenção, 3 metros de largura de passeio meios ao lado. Até podia andar na ciclovia, desde que estivesse atenta e consciente. Bem, siga. Vejo a minha filha na creche, segue-se o ritual de preparação para a viagem, luvinhas, casacos, capacete, baby carrier, beijocas, tchaaaau. Voltamos muito devagar. Está escuro, há folhas a voar. Hoje veio calada, sonolenta. Por vezes levanto-lhe o capacete um pouco para ver se está tudo bem. Muito séria, pensativa, a ver a cidade a desfilar, o vento frio a roçar-lhe o nariz, mas pouco mais que vai bem embrulhada. Conversamos sobre nada. Eu falo, ela diz “schim” ou “nãao” sobre qualquer assunto. “Achas que o Obama fez bem em reatar relações com Cuba? – Schim”. Sim. Passamos pelo minipreço para umas compras rápidas. O coração encostado ao meu, chegamos quentinhos a casa. Acendo a árvore de natal, é a primeira vez que faço uma em casa.

calçada de Santana

Uma vez por semana pelo menos costumo fugir à rota habitual de bicicleta casa-trabalho. Tenho cinco rotas com pequenas variações. Quase todos os dias é a mesma, chamo-lhe o “clássico”: avenida de roma, alameda, almirante reis, rossio, chiado (99% das vezes no sentido inverso, a voltar à noite), demoro cerca de 16-20 minutos para 5.5km. É esta porque é a mais directa e rápida. Tenho o caminho desportivo cénico, em que vou pela ciclovia da avenida do brasil, belavista, olivais, parque das nações, santa apolónia, terreiro do paço, chiado. Esta é a mais bonita e divertida, assim como a mais segura (90% ciclovia), mas demora perto de 50-60minutos a andar bem, são uns 15km e deve-se evitar dias de vento de oeste. Depois tenho outra que é a ‘do parque eduardo VII’. Vai-se até ao jardim do arco do cego e daí pega-se a ciclovia da duque d’avila, e tuca tuca tuca até ao parque eduardo VII, marquês, avenida da liberdade, rossio, chiado. Tenho a uma ainda mais cosmopolita e central a que chamo de ‘cosmopolita central’. Esta vai de entrecampos ao saldanha, picoas, marques, avenida da liberdade, tudo nas vias principais. É muito divertido fazer a rotunda do marquês de bicicleta, aconselho se forem pessoas de pedalação rápida e descontraídos, de outro modo podem entrar em pânico.

E depois tenho um caminho que chamo o “alternativo do empeno”. O alternativo do empeno como o nome indica, é reservado para dias em que estou cansado e não consigo aturar o ritmo frenético do clássico em que tenho de jogar com as faixas, carris no chão, ultrapassagens etc. É o caminho mais sossegado possível, mas ao mesmo tempo o mais directo possível. Roma, etc. etc. até ao jardim do arco do cego, vai para o jardim da estefânia, passos da raínha e o belíssimo jardim do Campo Mártires da Pátria [anteriormente conhecido como Campo de Santana (anteriormente conhecido como Campo de Santa Ana)]. É daqueles sítios de Lisboa que uma pessoa não tropeça lá sem querer com facilidade.

(esta a foto não é minha):

campo santana

Pedala-se mais um pouco e chegamos ao apogeu deste bonito caminho: a calçada de Santana.

(a foto não é minha)

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Hoje a descer isto tive um daqueles momentos que aparecem em segmentos de 3 segundos num video de promoção de Lisboa junto do target urbano jovem trendy. À minha frente, o Tejo azul, a rua estreitinha a pique, um pombo a levantar voo à minha passagem, recortado no céu, duas velhinhas a conversar à ombreira da porta. Corta para plano de charrete em Belém com um casal de turistas ingleses idosos de mão dada. A passagem pela calçada é vertiginosa. Este caminho tem o detalhe de ser plano quase sempre e depois resume-se a uma descida: esta. É por isso que não o uso a voltar para casa, porque nesse contexto, a descida transforma-se em subida e é preferível distribuir a subida pelos 3km da amirante reis do que pelos 200 metros da calçada de santana. É muito importante saber utilizar um plano inclinado correctamente.

Gosto de imaginar como seria esta calçada antigamente. Hoje vemos a distribuição moderna a entregar bilhas de gás ou grades de sagres, estudantes, as referidas velhotas, pessoas à porta de tascos a fumar um cigarrito. De facto, não haveria grandes diferenças

(esta foto fui eu que tirei)

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No fundo, a diferença eram as roupas das pessoas. Na foto acima podemos ver os hipsters da altura que já alugavam estes apartamentos quando andavam no Erasmus.  Hoje a cena é o look lenhador barbudo, na altura reinava o look campino arraçado de cowboy americano.

Passado isto, a coisa estreita ainda mais e fica turtuosa, há estabelecimentos geridos por indianos curiosos, e depois na calçada garcia temos um mini mini cheirinho de Lisboa decrépita como convém,  uns metrinhos de prédios devolutos, tão devolutos que nem os okupas os kerem para hortas urbanas. E desembocamos no magnífico rossio que até parece mentira, logo ao lado do teatro nacional e perto da ginginha. Tempo total, 25-30 minutos, dependendo da pressa que um individuo tenha.

 

dias de greve do metro são celebrações do ciclista urbano

Foi precisamente num dia de greve de Metro como o de hoje que comecei a andar de bicicleta em Lisboa regularmente há uns anos. E vejo sempre, nestes dias, ciclistas “novos”, um pouco inexperientes, a testar a coisa. É fácil topá-los. O primeiro sintoma evidente é o uso de mochilas ou sacos no guiador, em vez de alforges, as bicicletas não preparadas, as trajectórias erráticas, manobras arriscadas, nervosismo.. Alguns deles vão converter-se. Também se vê imensa gente a andar a pé nos passeios, pessoas que em vez de fazerem 4 ou 5 estações de metro, andam em passo apressado. O curioso é que é nestes dias completamente caóticos, com filas de trânsito intermináveis, stress ao rubro, filas de autocarro dantescas, que o ciclista urbano regular se sente mais “livre”. Não que seja mais fácil fazer o percurso (demorei mais 10 minutos que o habitual), mas porque o contraste com o que nos rodeia é tão grande que chega a ser divertido. Serpenteamos por entre carros parados, os peões andam a 1/3 da velocidade, somos livres. E é certamente mais seguro do que nos dias normais.

É engraçado que estes dias de greve de Metro em que a cidade mais fica compactada de carros sejam mais eficazes no propósito de promover a mobilidade urbana do que a bacoquice do “dia europeu sem carros” que tinha o efeito precisamente oposto.