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Este título representa graficamente a minha expressão facial quando uma mulher bem parecida, na casa dos trintas suponho, me abordou nos corredores de uma grande empresa, 2 minutos antes de uma reunião. Primeiro vinha a olhar para mim, a falar ao telemóvel ao mesmo tempo e a sorrir. Quando a vi direito a mim, a sorrir e a falar, não pensei que fosse para mim, mas para o telemóvel. As mulheres desconhecidas só me sorriem quando estou a correr com a Júlia no carrinho, às vezes é incomodativo porque ficam embasbacadas e são obstáculos que temos de contornar ou afugentar como quando vamos de carro e furamos por um rebanho de ovelha. Outra hipótese era a de que ia à reunião também. Não arrisquei qualquer reacção nem com ela a um metro de mim. Aprendi a lição desde aquela vez em que respondi por reflexo a um “olá, tudo bem?” com um “Tudo bem e contigo?” a uma que vinha a falar para o auricular. Até ela se ter mesmo acercado de mim e me ter perguntado: “Olá! Estás aqui? O que é que estás aqui a fazer?” Parte do meu processador tentou repescar algum ficheiro. Outra parte procurou manter – sem sucesso – uma conversa de circunstância. Felizmente eu tinha uma reunião para a qual, confesso, estava concentrado. Mistério. Senti-me um pouco malcriado e a pensar no que o Pipoco faria numa situação assim. Talvez ela me tenha confundido com ele. É possível, as pessoas lêem e depois criam uma imagem mental. Já me confundiram com o Pedro Mexia quando estive um pouco deprimido aqui há uns anos e estava a ouvir Morrissey num posto de escuta da Fnac. Chegaram ao pé de mim e disseram “Pedro! Estás mais magro. E bonito. E novo! O que aconteceu?” Mas não, definitivamente, a cara dela é-me familiar.  Ou será sugestão? Se isto resultar é muito fácil meter conversa com qualquer pessoa, basta chegar lá e fingir que a conhecemos muito bem, com a maior naturalidade. Se ela for bem educada tentará durante uns minutos recordar-se de nós e manter conversa o tempo suficiente para perceber que somos fascinantes e convencer-se de que foi ela que se esqueceu e se não foi não interessa. Mas não foi o caso. Arrisco que remontará a tempos da universidade ou muito pouco tempo depois disso. Senti-me no Lost Highway do David Lynch. Já vos aconteceu?

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6 thoughts on “:|

  1. Eu sou aquele gajo a quem os actores de novela falam a pensar que conhecem de algum lado, mas que nunca viram mais gordo, devo ser parecido com alguém muito prestável dos bastidores. O normal é eu também não saber quem eles são mas reconhecer igualmente a cara deles e agir como se soubesse perfeitamente de que zona da minha vida os conheço, o que contribui para o ridículo da cena de dois desconhecidos a congratularem-se por se ter reencontrado. Ridículo posto a nu quando estou a ver novelas.

    1. Estás a gozar? 😀 Essa história é linda. Normalmente é ao contrário, as pessoas falam aos actores de novelas a pensar que os conhecem de algum lado (assim fora da TV às vezes parecem diferentes, sem caracterização etc.).

      1. Não estou a gozar, então à noite nos copos era surreal, tive conversas de vários minutos, completamente genéricas. Se bem me lembro, a única vez que fiz isso ao contrário foi com o Daniel Oliveira, enquanto comíamos os dois uma sandocha na Bijou do Calhariz, porque conhecendo perfeitamente a cara dele vi-o num ambiente propício a confundi-lo com um empregado de restaurante das imediações. Ele falou-me alegremente, o que me denunciou a cena foi a expressão dele quando se apercebeu que não me conhecia de lado nenhum e ficámos a comer sandes de omelete virados um para o outro em mesas diferentes. Patético.

  2. Então, mas, afinal a cara dela também não te era estranha, só não te lembras de onde a conheces, certo? Se acontecesse comigo, não tinha problema algum, perguntava-lhe descaradamente quem era porque, naquele momento, não me estava a recordar. Por acaso, nunca me aconteceu, até porque tenho uma memória visual bastante razoável.
    Agora, gajos a insistirem que nos conhecemos e eu nunca ter visto tal pessoa, já aconteceu (como cheguei a mencionar no blogue). No entanto, nunca mantive ‘conversa o tempo suficiente para perceber que (eram) fascinantes’. Mas isso deve ser por não ser uma gaja ‘bem educada’… ;p

  3. Já me aconteceu várias vezes e tiro-te o chapéu se lidaste com a coisa com elegância. Eu, feita parva, nunca me safo sem me pôr a arriscar um nome, para não dar parte de fraca e… falhar. Uma vez, duas vezes… horrível. Geralmente são irmãos mais novos de colegas de escola, insignificantes ou de xupeta na época em que os conheci ou ex-professores de body combat que ficam irreconhecíveis sem microfone e upper-cuts.

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