bati no fundo

Em virtude das más condições atmosféricas, em particular do forte vento nas zonas costeiras, combinado com não ter nenhum tipo de bebé a meu cargo, decidi bater no fundo e ir em busca da corvina no tejo e ter uma foto assim de mim no meu facebook para engatar gajas.

corvina

Infelizmente, não se verificou. Já de noite e depois de preparar bastantes montagens, descobri que não conseguia tirar a licença de pesca no multibanco. Costumo tirar uma diária de 24jh e desta vez não deu. Alteraram os dados, é imbecil, pedem cartão de cidadão e eu não tenho, não sou português. Antes dava, metia-se o NIF e o telemóvel… só espero que seja um erro do sistema e amanhã esteja tudo bem, porque isto não confere com a lei (pode ser o nº de passaporte, nif etc.). O senhor da loja deu-me camarinha, ganso e coreano. Vai-se estragar se não puder pescar. Deve ser a primeira vez que quero pagar um imposto e não consigo.

Mas ocorreram mais dois sinais de que nada é como dantes e que passei um ponto de viragem. O primeiro foi ter ido ao pingo doce de alvalade no meu traje tradicional de pesca que uso em Peniche e ter sido seguido o tempo todo – i kid you not – pelo segurança, o que nunca aconteceu em 5 anos. Até olhei para ele e encolhi os ombros do género “não tens nada melhor para fazer? não vês um molho de fraldas e leite para bebé no carrinho? Já foste a Peniche? Achas que em Peniche as pessoas andam empaneleiradas como aqui?” Tudo isto num encolher de ombros.. Agora sei o que sofrem os pescadores, especialmente se também forem ciganos. O segundo sinal ocorreu quando achei boa ideia tirar a licença com um número de cidadão que não o meu. Fiz   5 chamadas a 5 amigos, para pedir um número. Ninguém me atendeu. Estava à chuva, no multibanco. Fiquei no carro a pensar nisto. Fui para casa. Entretanto lá me ligaram de volta, mas não atendi eu. Queriam conversa? Eu não, só queria a merda de um número de cartão do cidadão. Não quero conversa. Fiz um lombo de porco no forno com muito alho esmagado, vinho branco, cenoura e batata doce. Abri um vinho. Vi formas alternativas de obter a merda da licença (é possível, ainda assim). E escrevi este texto.

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6 thoughts on “bati no fundo

  1. Mas se era só por causa da foto, não lhe ocorreu enquanto era seguido no Pingo Doce de tirar uma selfie na peixaria, podia pedir ao tipo da segurança que lhe segurasse uma fita métrica!!

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