wake up call

Li este bom texto do Rui Cardoso Martins no Público, que não conheço, mas é boa pessoa. E realmente, senti-me contagiado pela ira que transmite. Os atentados de Paris foram aquele contacto com água fria na cara, de manhã, quando acordamos. Bom, é um ritual que eu faço, isto de molhar a cara com água gelada, para a acordar. É muito simples. Os que dizem “foi errado, mas os do Charlie estavam a pedi-las” na prática são os merdas que na história estão de braço estendido a fazer a saudação, carneiros, ou versão mais soft, a aplaudir os filhos na Mocidade.  É tramado dar conta que estamos rodeados de filhos da puta. Podia partilhar notícias que dão conta da execução de gays pelo IS, atirados de prédios em Mosul (é errado, mas estavam a pedi-las, passa pela cabeça de alguém ser gay em Mosul?) ou relembrar a miúda que levou o tiro na cara por ir para a escola (é errado, mas lembra lá alguém ofender assim as crenças e costumes locais?) ou o outro blogger que na Arábia Saudita está a condenado a 1000 chibatadas porque criticou o regime (é errado levar chibatadas, mas se já sabe que eles não gostam, então vai-se meter a criticar assim?), mas que se foda. Se isto der para o torto, seja por dentro, com um Sócrates V2 e uma democracia ainda mais destruída, ou por fora, sabe-se lá em que circunstâncias de guerra mundial, eu tracei uma linha no chão há pessoas do meu lado. Do lado de lá, estão os merdas do “estavam a pedi-las”, ou na linha da frente de guerras que não compreendem, ou nos calabouços, ou com fardas de capos, todos contentes, os merdas do respeitinho é bonito. Até lá, ignoremos, ignoremos, vamos correr, amar, cozinhar, ler, escrever, a vida é bonita, o Benfica está espectacular.  Mas não tenho dúvidas, vi-o agora: é perfeitamente possível a repetição de qualquer cenário negro que vem nos livros de história.

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4 thoughts on “wake up call

  1. Tive três dias de tensão/argumentação com o meu patron após o ataque, acabava o trabalho e ficávamos uma hora nisto. Até não sou muito de me meter em discussões com que quem não concordo (vira o disco e toca o mesmo), mas há opiniões que são perigosas quando disseminadas, acho eu. Embora tenham o direito de as ter, têm que ser fortemente contrariadas. Às tantas já eram centenas ou milhares com a mesma opinião (ele mandava-me links com as notícias dos jornais que decidiram não publicar as imagens etc). E eu respondia com textos de outras pessoas, que explicam as coisas muito melhor do que eu. Alguns dos textos vieram do Sonhos do tipo D.
    A disponibilização de links para outras fontes que me passariam ao lado se não fosse por aqui (como este ou o do Ross Douthat no NY Times) também é serviço público.

  2. Concordo plenamente. Todos os dias contacto com pessoas que noutro contexto estariam a frente de um campo de concentração/pelotão de fuzilamento/etc alegremente a a fazer as maiores atrocidades e a dizer que estão a “cumprir ordens”…

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