ao cuidado de quem desenha luzes de WC que acendem com detectores de movimento

Exmos Senhores Engenheiros (suponho)

Venho por este meio manifestar o meu desagrado perante algumas características do vosso invento, a meu ver, com potencial, mas que carece de posteriores desenvolvimentos que tardam em aparecer. Reconheço que é utilitário entrar em qualquer WC de qualquer restaurante ou café e não ter de tactear uma parede de azulejo à procura do interruptor. Podemos atirar-nos à confiança para o escuro que uma luz se acenderá. Acende quase sempre. Não acende nos casos em que ainda há um interruptor dos antigos e é com algum embaraço que percebemos que não ia acender, mesmo que gesticulássemos ainda mais, perante o olhar intrigado de um empregado a passar.

É bom não ter de tocar em interruptores que são tocados antes e após a utilização do WC. É cordial não apagar, sem querer, a luz do WC do sexo oposto, com uma senhora lá dentro que protestará rapidamente e um pouco em pânico, pois é sabido que se não o fizer, a pessoa que se enganou pode-se ir embora e a senhora fica lá dentro, às escuras, com vergonha de gritar de modo a que todo o restaurante a oiça e venha alguém em seu auxílio.

No entanto, os vossos sensores parecem partir do pressuposto que as pessoas fazem as suas necessidades em 15 segundos ou que se movimentam no acto, o que não me parece ser manifestamente o caso, qualquer que seja o sexo. Não considero ser uma experiência aceitável para o utilizador de WCs de estabelecimentos ver-se repetidamente no escuro de calças em baixo, saias para cima ou membro na mão, obrigado a coreografias a todos os níveis pouco dignificantes nas circunstâncias e que parecem sugerir uma intimidade entre nós e aquele local que, a todos os níveis, não existe. Ou que somos mais lentos do que a média para das pessoas para a qual foi desenhado o dispositivo e por isso temos um problema que devíamos ir ver no médico.

Assim, sugiro que o sensor sofra algumas adaptações.  É lamentável não captar imobilidade, mas vamos supor que seria possível, em 2015, haver uma espécie de mecanismo  que conseguisse detectar que há um corpo de massa significativa num espaço onde antes não existia. Talvez um radar militar, mas pequeno? Um morcego numa gaiola, treinado para emitir os seus ecos? E detectar a presença de massa significativa no WC, carregando depois ele próprio num interruptor especial para morcegos? Reconheço que pode ser intimidador fazer necessidades de qualquer espécie enquanto somos observados por um morcego numa gaiola que de 10 em 10 segundos emite um guincho estridente. A minha sugestão pode beneficiar de melhorias, mas o caminho é esse. É importante este conceito de massa significativa que referi. Seria certamente mais difícil implementar este mecanismo para um WC de partículas quânticas. Sabemos como no CERN se têm debatido com este problema e o pesadelo em que vivem as funcionárias de limpeza daquele laboratório, obrigadas a limpar porcaria quântica que nunca se sabe onde vai aparecer.

Mas procurando cingir-me à tecnologia de hoje,  sabemos que o sensor capta movimento e isso é suficiente. Vamos assumir que cada utilizador tem direito a dois períodos de movimento. Um movimento para entrar no WC e ficar imobilizado (é importante que fique, até por questões de higiene). E um movimento em que se desloca para fora do WC (considerando casos em que o lavatório está numa zona comum aos dois WCs e fora). Ao período entre os dois movimentos, vamos dar o nome de “período de utilização do WC”. Neste período, a luz deve permanecer acesa.  Claro que nós, que somos pessoas racionais, identificamos imediatamente situações em que esta solução se revelará desastrosa, como quando um ninja entrar no WC e depois, como é hábito dos ninjas após as necessidades, atirar uma bola de fumo ao chão e desaparecer sem ser detectado.  O sensor não captará esta saída e a luz permanecerá acesa sempre. Só se apagará quando alguém entrar para utilizar o WC, cumprindo exactamente a função oposta à que devia. Se o movimento seguinte for sair  para avisar um empregado que há um problema com a luz, a luz voltará a acender atrás dele, ficando o mecanismo dessincronizado para todo o sempre, para desespero dos empregados e dos proprietários. Não é um sistema perfeito, admito, mas a solução passará por criar um serviço de manutenção composto por ninjas com formação adequada, até porque a não admissão de ninjas em estabelecimentos, para além de constitucionalmente duvidosa, seria a todos os níveis impossível de aplicar na prática.

Espero que tomem nota das minhas sugestões e aguardo pelo feedback. Brevemente abordarei o problema das torneiras com sensores de movimento e das torneiras sem sensores de movimento mas que parecem exactamente iguais às que têm sensores de movimento.

atenciosamente

LB

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