o

o caminho submerso com pegadas antigas de passeios que deste
o vento frio de norte na costa sul virada a oeste
garrafa na mão,  copo vermelho na tua
orion pleíades vénus, a lua
sol diluído em  laranja no mar
lilás de leste violeta negro a pairar
o vinho francês e o avião da air france
se fosses outra diriam romance
mas tu viste-o voar e eu vi-te sorrir
viste-te nele e eu vi-te partir
despedi-me de ti apesar de ficar
enterrado na areia à beira do mar
gelados ao osso a tropeçar pela duna
as casas dos ricos de vultos na bruma
roupões de seda e palmeiras gigantes
muros, portões e os seus vigilantes
perguntei-te se querias ter uma casa assim
disseste “não”.

saliva dos beijos
de sabor a pecado
a culpa e a sono
os cães à espera
tu fechaste o portão
da parede caiada
e disseste adeus
ao pó da estrada

Anúncios

4 thoughts on “o

  1. Justifico:

    Gosto porque são claros (e luminosos: a parede caiada, o pó da estrada), escorreitos e têm balanço de coda.

    O que está para trás é uma embrulhada cacafónica.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s