o campo

Uma coisa comum nos cenários de memórias de infância revisitados, pelo menos nos meus, é como me parecem mais pequenos do que na minha memória. O escorrega que me dava vertigens, agora ferrugento, dá-me pelo peito. Vejo a minha filha palmilhar os caminhos do campo onde cresci, com passitos curtos de 18 meses, pic pic pic pic pic e pergunto-me como ela vê estes montes, charnecas, vinhas, se como eu vejo, quase que dentro de um pisa-papéis com flocos de neve a flutuar ou se como a extensão do mundo. Assim como o tempo parece ser relativo à nossa idade e passar cada vez mais rápido, talvez se passe o mesmo com as dimensões psicológicas do espaço físico, talvez sejam proporcionais à nossa passada. O certo é que quinhentos metros bastam para ela pedir colo e se recusar a dar um só passo, como se tivesse feito 40 quilómetros.

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