a ex

Quando interajo com ela o que vejo é uma rapariga muito bonita outra vez, só que agora é distante. Confessámos um ao outro que lemos o que escrevemos no início, por coincidência (eu esqueci-me da chave de casa num casaco deixado no trabalho, ela veio safar-me). Algumas das minhas coisas até são públicas, não aqui, graças a Deus. E ficamos, naturalmente, comovidos, por aquilo, por aquele tempo. Nem é só a perda do outro, é a perda de nós, do eu que sentia aquilo. Somos amigos e temos respeito mútuo e temos a nossa filha num pedestal acima de qualquer mesquinhice. Eu sei que ela precisa e adora mãe. É muito triste quando pessoas que se amaram se passam a odiar e se magoam muito usando os filhos como ponto de alavancagem de ódio (vide Carrilho Bárbara). Nunca me vou esquecer do pai que vi na creche a vir visitar a filha à socapa porque tinha uma ordem judicial para não a poder ver. E da PSP ter aparecido porque uma tipa do prédio da frente ser informadora da mãe e a ter avisado que o pai ia à creche ver a filha um bocadinho, durante o dia, com a cumplicidade das auxiliares. Como se chega a esse ponto?

Contudo, não diria best buddies e não quero traçar um cenário cor de rosa. Qualquer interacção acima de 5 minutos serve como reminder do porquê do fim, ela tem um feitio e eu tenho o meu. Depois destas coisas temos de nos reconstruir. Um choque, por exemplo, são outras pessoas. São diferentes e temos hábitos do passado, estamos como que sintonizados na estação errada. Mesmo que sejam mais agradáveis por serem o oposto dos supostos defeitos com que convivemos anos a fio, e um bálsamo por isso mesmo, facto é que temos hábitos, temos formas de ser que colidem com isso e sentimo-nos um bocado inadaptados ou incompreendidos facilmente, como que frustrados por ter de recomeçar de novo do zero a mostrar quem somos e o raio que as parta, cheios de pressa.

Isto foi a nossa tatuagem, foto no hospital, no dia em que a Júlia nasceu. Melhor dia da minha vida!

okay

Anúncios

8 thoughts on “a ex

  1. Quando uma relação termina, havendo filhos pelo meio, o melhor cenário é sem dúvida manter uma amizade. Não é só benéfico para a(s) criança(s). Também o é para os dois adultos que têm um bem tão precioso em comum.

    A foto está muito fixe.
    Também tirámos uma do género. ‘Tatuámos’ uma mensagem na palma da mão. Acredito que a Bolachita irá gostar de ver quando crescer. No teu caso, a Júlia também. 🙂

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s