como acalmar a birra da nossa filha(o)

Ontem, enquanto ela berrava desalmadamente porque não a deixei ver o video que postei dela no facebook pela 43ª vez consecutiva, tentei concentrar-me em buscas no google para procurar a solução, dado que comecei a desconfiar que o que tinha estudado não estava a resultar, nomeadamente, ignorar a birra, quando ela começou a ameaçar ficar afónica e o cabelo a empastar de lágrimas e ranho, o cabelo que eu tão carinhosamente tinha lavado há uma hora.

No sábado de manhã ela fez uma coisa que nunca me tinha feito. Entrei com ela no café, com o jornal, como fazia sempre ao sábado de manhã, o ritual. Passámos perto de uma máquina de “bolas” com brinde, a euro. Ela aponta e diz “quero uma bola, pai” e eu, que até tinha trazido um livro para ela, cedi para não ter stresses. Dei-lhe a bola, ela pegou-lhe. Deixou-a cair e ela rolou pelo chão do café, assim como as minhas esperanças de tomar o pequeno almoço sossegado. A seguir apontou para uma bola específica da porra da caixa com 150 bolas aleatórias e pediu “quero esta bola pai, esta”, indicador espetado numa bola por detrás do plástico. Resultado, birra. Tive tempo para beber um café ao balcão antes de fugir dali para fora com ela por cima do ombro à saca de batatas esperneante.

Descobri que este problema das birras a partir do ano e meio e até aos 2-3 anos é um problema muito comum a que se dá o nome de “ter filhos”.
Os fóruns que interessam estão repletos de relatos na primeira pessoa de pais que desabafam, desorientados e de de 500 respostas muito empáticas, todas com soluções diferentes que não resultam com filhos dos outros, nem sequer com os deles passados 1 ou 2 dias. Portanto, estamos por nossa conta. No entanto há princípios provados que qualquer pai deve ter no seu leque de técnicas, como ignorar, dar espaço para libertarem vapor e só falar depois quando acabar o meltdown. Depois é escolher as guerras. Por exemplo, se não quer dormir – e este fds foi a primeira vez que me aconteceu com uma sesta – não quer. E é impossível obrigá-la. Hoje de manhã resolveu acordar às 6:00 e desatar a chamar por mim. Noutros tempos (há 3 semanas) ia lá, deitava-a de novo, dizia “psshhh dorme” e ela dormia. Not any fucking more. Tentei isso e o resultado foi ter passado 2 minutos a ouvir variações de PAAAAAAIII PAPÁAaAAAaAAAAA em choro rouco e desesperado.

Nem sempre é fácil manter a coolness e não resmungar, às vezes é muito irritante, mas é preciso ignorar e manter-se calmo e até tentar ver o lado engraçado da coisa. Por exemplo, ontem chegou ao desplante de exigir um baloiço num parque onde só havia um escorrega. Qué baloiço, qué baloiço. Parecia o Tsipras a falar com a Merkl, qué dinheiro qué dinheiro num qué pagar. Lá foi ela para o carro feita saca de batatas ao ombro, a espernear, perante o olhar intrigado dos muitos cães que a observavam e dos seus donos. “queres baloiço, pede ao António Costa que meta um aqui que o pai não pode”. E pense (juro) que se calhar há à venda baloiços portáteis, assim uma tábua com 2 cordas e ganchos na ponta, para poder prender em qualquer árvore ou estrutura de centro comercial ou supermercado. SE não há, shark tank com isso!

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10 thoughts on “como acalmar a birra da nossa filha(o)

  1. Eu tinha duas técnicas, em casa e fora de casa.
    Em casa, ignorar até começar a ferver, quando começava a ferver punha uma cadeira pequenina no meio do quarto deles e sentava-os na cadeira. “Agora gritas aqui no teu quarto, quando acabares podes vir ter comigo, se saíres da cadeira, tranco-te a porta!” Nunca foi necessário trancar a porta.
    Fora de casa, o meu filho (autista) teve uma fase que frequentemente fazia uma birra no café só para que fossemos embora. Comecei a estacionar perto do café (só dá em locais com estacionamento à porta) e quando a birra começava, sentava-o no carro com o cinto e dizia “continua a tua birra que eu vou ali tomar um café, deixava-o 5 minutos sozinho e voltava lá para perguntar, já acabou? queres vir comigo ou vais continuar aí?
    Foi a psicóloga que me deu a dica e é certo que funciona, fiz duas vezes à mais nova e nunca mais houve birras fora de casa.
    Espero ajudar mas cada criança é como é.

    1. Sou 100% partidário desse tipo de tough love e ajudaste por partilhar a tua experiência. E acho melhor esse tipo de força do que irritação extrema e conflito. É que ao deixarmos o miúdo “de castigo” numa cadeira ou nocarro também respiramos respiras um bocado e bebemos o café e recuperas psicologicamente para lidar com eles de novo mais “cool” e mais tolerantes e isso também ajuda acho. Bastam 5 minutos de time out às vezes para recuperar 🙂

  2. Grande dica que te vou dar aqui, grátis. As birras da minha filha mais nova são o apocalipse, e já sei que dizer aos miúdos para irem chorar para o quarto é uma forma conhecida de os deixar “largar vapor” e ganhar consciência de que não vale a pena continuarem, mas no caso da minha filha parece que o “meltdown” não termina. Em desespero, aí vem a dica, entro no quarto para lhe roubar a chucha e vou-me embora, ela fica a gritar ainda mais alto, passados 20 segundos volto para lha dar e ela acalma-se instantaneamente. Posso estar a moldar uma psicopata ou uma conformada, ou ambas.

    1. MEU DEUS ISSO É GENIAL DE TÃO MALÉVOLO QUE É! Se bem que a minha não usa chucha, nunca usou (nunca quis, nós tentámos). Já sei! Dou-lhe uma sagres, depois tiro-lha e depois dou-lha outra vez!

  3. Olha que isso dos terrible twos é um mito. Falaram-lhe disso na escola e agora está a ver se cola. Aposto que foi a Matilde ou a Beatriz (qual delas é a melhor amiga?) que lhe disseram: “pede-lhe cerveja, pede, vais ver como é bom.”

  4. Vou deixar aqui a minha contribuição, como mãe de um mafarrico de quase 4 anos que só agora começou a acalmar. Perdi a conta às vezes em que simplesmente peguei nele e saí porta fora. Também experimentei a opção de o deixar chorar no quarto e sair, mas tive de a abandonar quando os candeeiros começaram a voar pelo quarto. Depois de mil e uma sugestões, quinhentas mil táctidas de guerrilha, a estratégia que melhor resultou para “ambos” os três (eu, ele e a minha sanidade mental), foi tirar-lhe o brinquedo que ele mais gostava e só devolvia passado um tempo. Houve uma altura em que poucos brinquedos sobraram e a mensagem custou a entrar. Hoje resulta em 80% das vezes. Nas restantes é claramente a opção “deixar o vapor sair” (na sala e sob vigilância….)

    1. Obrigado pelas dicas! 🙂 Só espero não chegar a este ponto. Para já, eu senti isto só neste fim de semana, mas na creche já se queixavam há algum tempo que ela tinha o feitio forte. O curioso é que é amorosa ao mesmo tempo, é beijinhos, olás, abraços… vou andar na rua vai a cumprimentar pessoas, chama pelos outros meninos para brincarem. Agora é engraçado, quando tiver 14-15 anos não a deixo sair de casa -_-

  5. Não te posso ajudar, ainda. A Bolachita faz birras mas são bastante fáceis de acalmar. Pego-lhe ao colo 2/3 minutos a cantar-lhe uma treta qualquer que inventei na hora e ela começa logo a sorrir (uma coisa é certa, ainda não tem os ouvidos devidamente apurados ;D). Depois, já a posso pousar que continua a brincar sozinha.

    Agora isso da sesta, já não consigo há umas semanas. Estou desesperada. Aquelas duas horas de descanso a meio da tarde davam-me um jeito do caraças…

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