Elisabeth Olsen

Nas minhas deambulações de “tuning” mental com música, pus-me a ouvir Jackson C. Frank para escrever uma coisa, tropecei no She’s just a picture do fabuloso filme Martha Marcy May Marlene (neste caso em cover do actor do filme). Elisabeth Olsen. Elisabeth Olsen, é o que vos digo. E para não soar demasiado Pedro Mexioso, quero só dizer que fiquei intrigado com os mupis dos Keep up with the Kardashians que estão por Lisboa. Quero que acreditem em mim quando vos digo, do fundo do coração, que não sei o que são as Kardashians (eram 3 no mupi), que não sei quem são aquelas mulheres todas cherokees indians com aspecto de pretendentes do Cristiano Ronaldo e que só me lembro daquele viral do champanhe e da taça no rabo.

cor de rosinha não é a cor dela esta manhã

Estou a fazer uma playlist para as birras da Júlia e ouvirmos os dois quando ela tiver birra ou então só eu, com os fones, bem alto. Para já, claramente o  “White’s Not My Color This Evening” de Cherry Glazerr.

might act super tough, but its really not enough
I’ll kick straight through your wall
Then i’ll blame it on them all
This is a nonsense call
I can still have a ball
Whens this going to go away?
I have all these crazy pains
Whens this shitty party going to dissipate?
I am irate

Mais canções boas para estes momentos? O I Want It All (and I want it now) dos Queen?

como acalmar a birra da nossa filha(o)

Ontem, enquanto ela berrava desalmadamente porque não a deixei ver o video que postei dela no facebook pela 43ª vez consecutiva, tentei concentrar-me em buscas no google para procurar a solução, dado que comecei a desconfiar que o que tinha estudado não estava a resultar, nomeadamente, ignorar a birra, quando ela começou a ameaçar ficar afónica e o cabelo a empastar de lágrimas e ranho, o cabelo que eu tão carinhosamente tinha lavado há uma hora.

No sábado de manhã ela fez uma coisa que nunca me tinha feito. Entrei com ela no café, com o jornal, como fazia sempre ao sábado de manhã, o ritual. Passámos perto de uma máquina de “bolas” com brinde, a euro. Ela aponta e diz “quero uma bola, pai” e eu, que até tinha trazido um livro para ela, cedi para não ter stresses. Dei-lhe a bola, ela pegou-lhe. Deixou-a cair e ela rolou pelo chão do café, assim como as minhas esperanças de tomar o pequeno almoço sossegado. A seguir apontou para uma bola específica da porra da caixa com 150 bolas aleatórias e pediu “quero esta bola pai, esta”, indicador espetado numa bola por detrás do plástico. Resultado, birra. Tive tempo para beber um café ao balcão antes de fugir dali para fora com ela por cima do ombro à saca de batatas esperneante.

Descobri que este problema das birras a partir do ano e meio e até aos 2-3 anos é um problema muito comum a que se dá o nome de “ter filhos”.
Os fóruns que interessam estão repletos de relatos na primeira pessoa de pais que desabafam, desorientados e de de 500 respostas muito empáticas, todas com soluções diferentes que não resultam com filhos dos outros, nem sequer com os deles passados 1 ou 2 dias. Portanto, estamos por nossa conta. No entanto há princípios provados que qualquer pai deve ter no seu leque de técnicas, como ignorar, dar espaço para libertarem vapor e só falar depois quando acabar o meltdown. Depois é escolher as guerras. Por exemplo, se não quer dormir – e este fds foi a primeira vez que me aconteceu com uma sesta – não quer. E é impossível obrigá-la. Hoje de manhã resolveu acordar às 6:00 e desatar a chamar por mim. Noutros tempos (há 3 semanas) ia lá, deitava-a de novo, dizia “psshhh dorme” e ela dormia. Not any fucking more. Tentei isso e o resultado foi ter passado 2 minutos a ouvir variações de PAAAAAAIII PAPÁAaAAAaAAAAA em choro rouco e desesperado.

Nem sempre é fácil manter a coolness e não resmungar, às vezes é muito irritante, mas é preciso ignorar e manter-se calmo e até tentar ver o lado engraçado da coisa. Por exemplo, ontem chegou ao desplante de exigir um baloiço num parque onde só havia um escorrega. Qué baloiço, qué baloiço. Parecia o Tsipras a falar com a Merkl, qué dinheiro qué dinheiro num qué pagar. Lá foi ela para o carro feita saca de batatas ao ombro, a espernear, perante o olhar intrigado dos muitos cães que a observavam e dos seus donos. “queres baloiço, pede ao António Costa que meta um aqui que o pai não pode”. E pense (juro) que se calhar há à venda baloiços portáteis, assim uma tábua com 2 cordas e ganchos na ponta, para poder prender em qualquer árvore ou estrutura de centro comercial ou supermercado. SE não há, shark tank com isso!

‘not countenance’

*countenance: admit as acceptable or possible.

A a carta  de Tsipras a Merkl em que exige dinheiro para poder pagar dívida já,tem pérolas como “Servicing these repayments through internal resources alone would, indeed, lead to a sharp deterioration in the already depressed Greek social economy – a prospect that I will not countenance,”

Parece a minha filha a dizer-me que “not countenance” eu não lhe dar cerveja só porque berra muito. Os próximos passos:

1- A solução muito simples passa pela queda do Governo  grego nos próximos dias, mas sem drama, dando-lhes alguma dignidade no processo e pela nomeação de um burocrático de manutenção, já o fizeram na Grécia e em Itália em 2011. isto enquanto não se realizam eleições e um referendo sobre a permanência no euro.

2- O Syriza deverá desta vez ir a eleições com a promessa clara aos eleitores de que está disposto a sair do euro caso não veja satisfeitas as suas not countenances mirabolantes. O tal “not countenance” preto no branco e avalizado. A Europa deverá reagir de forma clara aos programas eleitorais em vez daquela confusão burocrática e dizer textualmente: “não aceitaremos ponto tal e tal e tal no plano eleitoral do partido tal e tal”. E os eleitores votam, desta vez em consciência da verdade, o que não foi o caso, parece-me.

3- O governo grego actual não tem legitimidade para decidir a permanência da Grécia no euro, parece-me, e o Grexit by accident é muita tragédia grega. A Grécia teria de fechar fronteiras a movimentação de capitais e riqueza durante quase um ano, até reinstalar o dracma que valerá quase nada. Seria a venezualização, prevista, aliás, em vários pontos do programa do Syriza actual, se conseguisse levá-lo adiante.

E por falar em venezualização, o ponto positivo foi a pedagogia disto tudo, para todos, em todo o mundo. O  Podemos foi apenas a 3ª força política na Andaluzia, com 14% dos votos e ganhou o partido socialista. E cá não me parece que o BE esteja a disparar nas sondagens, nem o Livre, mas entretanto a Joana Amaral criou um partido chamado Agir por isso, há a hipótese de sairmos do euro um dia.

O ponto pedagógico que falta é mais uma crise de dívidas soberanas (deve faltar pouco) para termos também um perdão gigante, desta vez já sem ilusões dos cofres cheios e talvez a Alemanha sair do euro, o que me parecia bem mais lógico para todos.

a minha Sagres

A minha filha está numa fase em que ser contrariada é uma cena que não lhe assiste e a faz ter birras épicas. São os chamados “terrible two” na gíria pediátrica, ou, no caso do Bruno de Carvalho, os “terrible late forties”.

Ontem foi por algo tão absurdo como querer beber da minha Sagres. Não estou a gozar. Insistiu e começou a chorar e eu pensei “ok, isto é horrivelmente amargo, vai detestar e resolve-se o problema” e deixei-a dar um gole pequeno (sim sou mau pai). Não é que riu? Adorou e teve um arrepio por ser gelado e ter bolhinhas. Vai daí “MAISH MAISH” a querer agarrar a minha Sagres e a trepar por mim acima no sofá. Obviamente que não lhe dei mais e obviamente que passei os últimos 10 minutos do jogo de ontem a ver o Benfica perder, com a Júlia aos gritos no chão em desespero por não lhe darem Sagres, no fundo, o que a maior parte dos benfiquistas sem sagres estariam a fazer naquele momento.

Pensei em encher uma sagres vazia com água, mas isso abria um precedente, ela podia passar a preferir aquilo à sippy  cup e um dia teria muito que explicar se a alguém a visse a emborcar de uma garrafa de Sagres, encostada ao sofá, a folhear o Livro de Ver e Sentir. E poderia causar problemas quando entrasse num café qualquer e ela se esticasse toda para qualquer pessoa com uma cerveja na mão a pedir “MAISH DÁ DÁ!”

os hispters não têm sentido de humor :(

Por exemplo, isto em 2015 pode ser considerado hipster mainstream

Está lá tudo. a música é gira, mas o vídeo, naturalmente, é um catálogo de clichés hipsters. Como sou um troll profissional desde 2001, gosto de deixar a minha marca e repor o karma quando acho que é preciso. No youtube, orgulho-me de alguns dos comentários com mais thumbs up serem meus (e thumbs down) e se não fosse o algoritmo do youtube rodar as coisas, o comentário mais votado do Dancing In The Street do Mick Jagger e David Bowie ainda seria meu.
Em resposta a este hipster ainda em estado larvar…

hipster1

…deixei esta pérola que passou completamente despercebida. E isso magoa-me.

hipster2