ir à praça

Não sou daqueles saudosistas do “comércio tradicional” (a não ser por motivos meramente afectivos de recordações de infância) e acolho de bom grado a inovação e o progresso. Mas para mim a praça de Alvalade faz o pleno. Encontra-se tudo, mesmo coisas que não encontro facilmente noutros lados como alcachofras, lombo de atum decente, douradas selvagens, broa de milho caseira, morcela de arroz e azeitona britada como deve ser. Quanto aos preços, duvido que sejam mais baixos (duvido muito) que nas grandes superfícies, mas estou rendido desde que descobri que é facílimo ir lá de bicicleta, algo que não consigo fazer no Pingo Doce, Continente, Lidl ou Modelo que têm lineares apertados onde nem 2 carrinhos de compras se conseguem cruzar. Deixá-la cá fora com cadeado está fora de questão, a minha bicicleta vale 3 salários de licenciado em letras. Basicamente, posso andar por lá e encher os alforges de produtos frescos à medida que os compro e pedalar para casa. E Deus (o Grande Arquitecto) sabe como eu gosto de eficiência e optimização.  Não sei se tenho OCD, talvez, mas eu nem é tudo arumadinho e simétrico, nem pensar, eu é tudo a bater certo, zero ineficiências num processo. E claro, este também me faz sentir bem por estar a contribuir para que o mercado se mantenha. Temo um pouco pelo futuro destes locais no longo prazo. Talvez se fizerem um rebranding para Pracetaria Gourmet? E vestirem as senhoras e senhores com aventais pretos Fátima Lopes?

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10 thoughts on “ir à praça

      1. Eu referia-me ao Mercado de Alvalade Norte, creio que é esse o nome técnico, mas sempre me referi a ele como “ir à praça” por ter crescido a ouvir isso lá em torres vedras.

  1. Houvesse mais gente a pensar assim… Eu cada vez mais tento diversificar os locais onde deixo o meu (cada vez mais parco) dinheiro. Continuo a ir às grandes superfícies, mas tenho vindo a optar por comprar cada vez mais no comércio tradicional e em vez de dar a ganhar ao Tio Belmiro (e outros tais) contribuo de alguma forma para aumentar as fontes de receita de quem não tem outras fontes de rendimento. Ajuda viver na parvónia (vivo no concelho ao lado de Torres Vedras :p), onde tenho muitas opções de compra de produtos frescos/frutas e afins, e confesso que me dá um gosto especial poder comprar a fruta na horta biológica cá do burgo, ou comprar as cebolas e os alhos ao Ti Joaquim, que me diz quando os apanhou. E, apesar de tanto se falar em abandono da agricultura, eu pessoalmente conheço o caso de três jovens (2 deles licenciados) que, estando fartos de serem explorados, se viraram para a agricultura, voltando a amanhar as terras que eram dos avós. Regresso às origens? Não sei, mas acho que quanto mais diversificadas forem as actividades existentes, melhor para todos. Humm…Pracetaria gourmet faz-me lembrar as Dancetarias…

    1. Vou deixar a minha filha na creche de bicicleta, vou ao trabalho de bicicleta e pelos vistos também vou ao mercado de bicicleta. Eu sou muito princípio dos anos 30-40, quando ainda não havia automóveis eléctricos.

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