já percebi o problema, o poder da minha filha é ser radioactiva

Sendo tão frequentes as ocasiões em que a minha filha ascende meteoricamente aos 39.5c obrigando ao seu manuseamento com as pegas do fogão como se fosse um pão saído do forno, isto estando o tempo todo bem disposta como se não lhe fizesse diferença, decidi chamar especialistas em problemas que me pareceram semelhantes.

Um amigo que tem contactos na embaixada do Japão pôs-me em contacto com eles e em pouco tempo tinha em casa uma das equipas responsáveis pela monitorização do reactor 2 de Fukushima Daichi.

Aqui na foto, o Doutor Makimoto prepara-se para medir a temperatura à Júlia, com uma equipa de físicos pediatras.
fukushima

Após alguma apreensão inicial  – dois deles recusaram-se a entrar o quarto dela quando viram o termómetro e um nem passou da ombreira da porta das escadas (mas esse queria só que lhe confirmassem que havia sushi para todos depois) – correu tudo bem. Refrigeraram-na com água, sopraram e abanaram as mãos para fazer ventinho. Baixaram estores, abriram janelas, retiraram os peluches felpudos da cama para melhor circulação de ar. Informaram-me que no Japão todas as crianças têm um super poder. O dela é ser radioactiva.  Sugeriram-me montar uma pequena central térmica pois só com a energia dela poderia facilmente fazer funcionar um frigorífico pequeno ou carregar telemóveis e puseram-se a tirar-lhe medidas. Recusei amavelmente e eles deixaram-me entender que ela tem um pequeno reactor demasiado intenso e que enquanto as orelhas não crescerem mais um pouco para dissipar calor mais facilmente, serão previsíveis ocasionais picos de risco de meltdown. Parece que tal problema se verifica no primeiro dia muito quente, o que sugere um samosutatto taidana (termostato preguiçoso).  Nada com que me deva preocupar.

Antes de se irem embora, tentaram  convencer-me a ficar com o Hoshasei Inu, o cão robot que a Toshiba desenvolveu para limpar a central nuclear, mas que nunca passou nos testes de subir e descer escadas. Faria muita companhia à Júlia e é o companheiro perfeito para uma criança radioactiva. Contudo, depois de Hoshasei me ter partido uma jarra, virado duas cadeiras e rachado uma parede em apenas um minuto só porque  o Doutor Matsumote demonstrou a função “busca a bola”, deixaram de insistir e retiraram-se com vénias. Felizmente a Júlia não o viu ou estaria feito.

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