um grande handicap

A verdade é que não gosto especialmente de programas com outros pais de filhos e com os filhos deles.

Ponto, disse-o. Atenção, refiro-me a isso versus a opção de ir fazer alguma coisa com ela ou de estar só em casa a brincar.

E isto é tramado. Corta-me muitas possibilidades de socialização com os meus amigos e amigas que já são pais e mães e não estão separados.

Acho óptimo que as crianças brinquem umas com as outras.

A minha brinca com outras 5 dias por semana o dia todo, pago para isso. Costumo dizer que alugo os filhos dos outros para brincar com ela, tipo dog wisperer. Crianças a dar com um pau, em ambiente controlado, onde não tenho de estar sempre atento (porque nem vejo) se os filhos dos outros também se estão quase a espetar no chão ou a partir algo. Está tudo incluído. Socializa filha, socializa aí no canil de crianças, com a matilha, para depois em casa não me roeres os cabos do computador.

Há coisas excelentes de se ser separado e ter custódia a 50/50. Como diria o CK Louis, nobody complains “my divorce is falling appart”. Quando a tenho de te volta, tenho fome dela. Eu divirto-me muito tempo (demasiado tempo) sozinho. Imaginem com uma criatura assim. É o melhor brinquedo de sempre.

As poucas experiências que tive do género conviver com amigos e crianças, algumas por acidente (calhou irmos ao mesmo parque infantil) e outras como aniversários, foram elucidativas. Falam comigo e estou com o olho posto no burro  – sem ofensa, adoro os meus amigos –  e outro na cigana que está prestes a cair de um baloiço ou a chocar com um que vem a correr do outro lado a olhar para trás. Mas os outros pais também são. Então as conversas são frases de 2 ou 3 palavras constantemente interrompidas porque a probabilidade de uma das 4 ou 5 crianças em actividade naquele momento suscitar necessidade de intervenção e interacção é bastante elevada. Se não houver mães (mulheres em geral) solteiras na festa ou ocasião, tudo aquilo é um grande desperdício.

O que me leva à categoria das mães solteiras. Há dias, uma amiga de longa data, mãe solteira, sugeriu-me que fossemos almoçar todos numa esplanada, eu, ela, o filho, a minha filha. Fiquei atordoado. A minha filha num restaurante é uma bomba relógio. 1h é o limite a que gosto de a submeter. E precisa de pão e de tijelas de feijão preto onde vai passar o tempo todo a tentar enfiar o focinho do urso rosa. É complicado ter conversas com outras pessoas. Ela é como um date muito absorvente, muito exigente.

Porque raio havia de querer isso no meu perfeito juízo?  Comparado com a hipótese de jantar com vinho num sítio sossegado – sem crianças – com uma mulher…

Porque, aqui está o detalhe, nós teríamos hipóteses de escolha. Os infelizes dos casais que não estão separados, muitas vezes não têm escolha e vão jantar com os filhos pedem sobremesa e digestivo nas calmas nem que os filhos estejam a rebolar no chão aos pontapés ou a correr no restaurante atirando copos ao chão.

Se fosse para me testar, eu teria falhado redondamente esse teste. Mas duvido. É só minha amiga. Há 20 anos. E aliás, é estupidamente orgulhosa no filho de ela que criou sozinha porque há “homens” que “não têm tempo” para cuidar dos filhos. E sei que o ponto era mostrar-me o filho e eu ter de o elogiar. O puto dela é realmente lindo. E isso ia levar a competição de filhos: “o meu já lê” “Ai sim? a Júlia leu Dostoiévski. E não gostou. E o teu? Gosta de realismo russo?”

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3 thoughts on “um grande handicap

  1. Faço parte dos casais não separados e, mesmo tendo ele já 4 anos, não dá para confraternizar. Ou melhor confraterniza-se à vez, o que também não acrescenta assim tanto e não deixa saudades. O meu filho não prima pelo bom comportamento, daí que passar tempo em programas com outros pais e respectivos filhos é algo que evito. Talvez com um puto mais sossegado isso fosse mais apelativo. E não, também não lê Dostoiévki nem faz desenhos lindos. Mas a sujar roupa é imbatível 😛

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