são precisas pelo menos duas

Havia milhares  de andorinhas no céu da minha infância e faziam os ninhos nos beirais das casas da minha aldeia. Às vezes voavam ao nível do chão na rua e era um espéctaculo ir a andar e vê-las passar a grande velocidade por nós desviando-se no último instante.

Nos meus seis ou sete anos, via com um pesar enorme a destruição desses ninhos pelos habitantes, com canas compridas já preparadas para o efeito.

Quando vim viver para aqui foi bom reencontrá-las. Vejo-as da janela do escritório ao fim da tarde nos fins de semana. Caóticas, bater de asas metralhado, pausa para planar, rodar, outro bater de asas rápido.

Voam em nuvens compactas como electrões de uma molécula instável, depois espalham-se, separam-se, cada uma para seu lado. Suponho que estejam a caçar ou então estão só a divertir-se, quem sabe?

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