montage of heck

Tenho uma filha que bastas vezes me pede para se ir deitar, precisamente às 20:30 que é a hora a que se costuma deitar. Disciplinar os pais.

Agora tenho de acabar de ver o Montage of heck que comecei a ver no fim de semana.

Está quase.

Epá, eu tenho os diários do Kurt Cobain (o livro com os scans, não o original) e sei tudo, ouvi mil vezes tudo, li mil vezes tudo, e isso talvez me tenha causado um certo tédio e que me tenha interrompido o visionamento do filme. Se não tivesse lido os diários, talvez tivesse mais interesse no filme. E pronto, sou um Youtube lurker. Achei-o sobretudo inconsistente, mal amanhado, superficial, pueril a espaços. Imperdoável fazer videos com montagens de anúncios dos anos 50 etc. como qualquer pessoa do youtube (eu faço isso, fiz isso 3 vezes pelo menos).

Não obstante, fez-me chorar umas seis vezes, mas é porque eu gosto muito do Kurt Cobain e também gosto de mim. Sou extremamente original nisto que vou dizer: eu identifico-me com ele.

yep- Sei que mais ninguém da minha geração sente isto, sei que é um choque, mas sim, eu era adolescente e eu identifiquei-me com Kurt Cobain.

Só acho que tudo o que é bom no filme é do material que ele fez, que ele era, é tudo um deja vu. Acho que falta contextualização do impacto musical. A falta de enquadramento crítico ao impacto cultural que ele teve enervou-me, tinha de haver testemunhos de bandas padrinho como o Sonic Youth, testemunhos do Iggy Pop, dos Pixies, Pearl Jam, da cena de Seattle, de donos de clubes, de editoras discográficas, do Steve Albini, do Butch Vig, do próprio Axl Rose, do dono da Geffen a explicar o que viu neles, fosse o que fosse. Isto é um filme feito por quem não percebe muito de música, só tem uma fixação pelo Kurt. O Iggy é execrável e impiedoso a avaliar bandas e ele respeitava ao Kurt e há uma entrevista muito boa em que ele fala do impacto que sentiu ao ver os Nirvana ao vivo num clube qualquer. Isso para quem gosta do rock, vale pontos e combinava bem com a muito interessante visão da mãe, do pai, da irmã, da primeira namorada.

Quem era, porque aquele som marcou uma geração e essa parte, no meu entender, teria tornado o filme melhor, mais rock solid. O documentário da BBC da história do Rock em 10 episódios é magnífico e faz um trabalho melhor neste campo. Enfim, só digo que isso ajudaria um pouco.

vou ver e chorar mais vezes. Temo que vá acabar mal, mas o game of thrones endureceu-me.

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2 thoughts on “montage of heck

  1. E não te esqueças: deviam entrevistar-me também, para recolher a impressão de quem nunca foi à bola com os Nirvana e acha toda a cena grunge um ligeiro percalço no desenvolvimento da música popular.

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