o turista

Bem, passou muito tempo. Vim para Lisboa viver desenraizado desde os 18 numa cidade onde não conhecia ninguém e sem família.

Hoje aqui chegado quando penso no que me sobra, e chego praticamente  ao ponto de onde vim, mas com a J, como se tivesse sido uma viagem num carrossel e me tivessem dado um urso de peluche de prémio. Valeu a pena.

Sinto-me, de dia para dia, cada vez mais um turista em Lisboa, em Portugal. No planeta Terra! Essa sensação tem muito de agradável. Gosto de ver a cidade de fora, as pessoas, como se fosse  primeira vez. Às vezes os turistas tiram uma foto a alguma coisa e eu fico naquele sítio depois deles irem embora a olhar para o que fotografaram e a pensar porquê, até perceber. Às vezes é óbvio, mas outras é preciso pensar como alguém que nunca passou naquela rua e que é de outro país pensa.

As tentativas de retomar, reiniciar hábitos, pontas soltas, não passam de tentativas que apenas acentuam o passar do tempo. É como voltar a sítios de infância, como uma escola primária de aldeia, e vê-la muito mais pequena e silenciosa do que no nosso tempo e essa imagem nova, melancólica, apagar a primeira.

Tendo o tempo para mim tão reduzido – para o que costumava ser – dedico-o preferencialmente a mim quando o tenho livre.

Uma coisa perfeitamente estúpida, mas simbólica mesmo: não tenho 1 única foto decente de mim com a J. a não ser selfies.

Divido-me sempre por fases, mas talvez seja uma ilusão. Acho que vem aí outra, mas que no fundo é sempre a mesma, apenas mais apurada, porque às vezes penso em mim como se fosse um calhau estúpido que vai sendo lapidado aqui e ali, deixando o acessório para trás, até sobrar só alguma coisa mais definida.

Umas regras, uns princípios, são novos. Por exemplo, não dar mais de mim do que o que recebo ou não dizer que sim a tudo ou ter ainda menos medo.

Tipo este cabrão que hoje apareceu no Eurogrupo sem proposta nenhuma (a foto não é minha).

euclides3

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3 thoughts on “o turista

  1. Pensava que quem era estranha era eu, afinal…”Às vezes os turistas tiram uma foto a alguma coisa e eu fico naquele sítio depois deles irem embora a olhar para o que fotografaram e a pensar porquê, até perceber. Às vezes é óbvio, mas outras é preciso pensar como alguém que nunca passou naquela rua e que é de outro país pensa.” – Faço isto tantas vezes! Às vezes até sem câmara.
    A 2ª foto, a preto e branco, gosto bastante. Foste o primeiro? Só curiosidade 😉

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