ter um filho

este fim de semana foi giro, como não podia andar derivado a ter pés feridos e coiso, o fim de semana consistiu em 48h em casa com a monstrinha.

Bom, não sei qual é a vossa experiência com crianças de 2 anos (ou mais), mas a cena aos fins de semana, para os pais, resume-se a encontar espaço livre, vazio, seguro, onde os putos possam esgotar a reacção termonuclear que eles têm sempre em carburação, no vermelho. Soltam-se no parque e esperamos, na praia e esperamos, no piso -1 de um McDOnalds com montes de balões e esperamos… Mas em casa, num apartamento? Boa sorte.

Por acaso não correu muito mal, mas envolve um estado contínuo de abnegação do eu. Isto porque é implausível pensar nas nossas necessidades enquanto as dela estão alerta. Alerta é a palavra, toda ela é um alarme pronto a disparar. Ela não tem necessidades, está a aprender as necessidades comigo. Não tem fome, mas se eu como uma bolacha, tem fome. Não quer ver televisão, mas se eu ligo a Sport Tv ela quer ver o Gato Henrique no baby tv. Se eu a deixo ver o Gato Henrique e prefiro ler um livro sossegado, ao lado dela, ela também prefere ler um livro, por acaso grande, por acaso por cima do meu, por acaso sou eu que tenho de lhe ler o livro.

Às vezes fala tanto e sem parar que eu me meto de joelhos e lhe digo “cala-te filha, só um bocadinho, deixa o pai pensar” e isto com uma panela ao lume, o microondas a apitar, um copo de água na mão e o telemóvel a tocar. Sinto-me como o windows qundo carregamos em montes de shortcuts no desktop e ele fica a anhar e depois aparece alguém que diz “não deves carregar em tudo ao mesmo tempo, tens de esperar”.

E minto-lhe. Nesta fase minto-lhe descaradamente. Ela adora amendoins, quando eu como amendoins, lá vem ela a correr, depois de ouvir o estalar das cascas: “pai pai o que estás a fazer?!” e eu “nada filha, nada” e escondo os amendoins e vou comê-los, com uma cerveja, para o meu escritório, com a porta fechada.

Depois descasco-lhe amendoins, de peso na consciência e levo-lhe um pires de amendoins e ela diz “não quero”. Mas eu gosto disto A sacana disse “anda cá papá, meu amor 🙂 ” várias vezes. Fiquei muito deprimido, vou ter de poupar para o Fiat 500 ou coiso quando fizer 18 anos. 20 anos. Humpf. 20.

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2 thoughts on “ter um filho

  1. Bom, embora lá a uma/outra de confessions: eu, que sempre tive uma relação (intercalada de bons postais e o cuidado extremo com a saúde e a alimentação) no limiar da ruptura com o meu pai, acho que hoje teria uma relação muito boa. De certa forma, quem a impediu, inicialmente, foi mesmo ele (somos dois filhos e duas filhas), depois, a minha mãe terá alimentado, subjugando-se, a ruptura, efectiva.

    Não gosto do sinhôr froid, mas há coisas fáceis de explicar e de aprender, ainda que não tenhamos as palavras para as dizer e depois existe aquela coisa dos sentimentos, que tanto atrapanha quanto envolve, doucement, terriblement.

    Adoraria ter o meu pai ainda vivo.

    Trata bem essa Julinha, Lou (é claro que tratas, mas ficas a saber – outra vez – que gostamos dela e também do teu sentimento de culpa)

    🙂

  2. Fiquei na parte do “Soltam-se no parque e esperamos, na praia e esperamos”. Eu cá não espero nada. Nem tenho tempo para isso. É ir a correr atrás do prejuízo. Agosto está à porta e o infantário fecha. Mal posso esperar para estar com ele 24h sobre 24h horas… Claro que também há momentos fixes. Quando sossega durante 5 minutos, às vezes volta-se para mim e diz: “mãe, estou a portar-me bem. Estás feliz?” E eu desarmo. E baixo a guarda. Para 5 minutos depois voltar tudo ao mesmo. Sinceramente, não sei quando é que vou recuperar o meu “eu”…

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