o meu problema

O meu problema com a escrita é o mesmo que com outras coisas, como as relações e assim. Gosto demasiado das primeiras páginas e hipóteses, mais do que perder tempo no longo prazo a aperfeiçoar algo. Assim que se desenha a previsão polinomial, linear, exponencial, logarítmica, média móvel, do futuro, vejo essa imagem agora instintivamente e considero esse um caminho previsível, com pouca margem de surpresa e descoberta. Como alguém que só meteu 3 ou 4 peças de um puzzle mas desiste de o fazer porque a foto do puzzle está na capa da caixa e já descobriu uma boa heurística para separar e procurar peças (formas, cores etc.). Por exemplo, pediram-me um determinado trabalho, fiz umas 10 páginas e vi o que ia acontecer e não gostei particularmente e agora estou entalado porque disse que sim. Acontece raramente – mas acontece – esse caminho ser suficientemente aliciante para o achar merecedor de existir no plano real. A maior parte das vezes satisfaz-me o poderia ter sido e não preciso de perder mais tempo, nem o dos outros. Nem sei porque chamei a este post “o meu problema”, não o acho um problema, a não ser quando expectativas de outros dependem de mim. É como se me permitisse existir em planos paralelos, múltiplos. No futuro, as pessoas vão resolver todos os conflitos assim, instantaneamente, e só se vão mexer para o que importa.

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