não gostos

Escolhemos não-gostar de coisas. Nem vou para artes e desporto. No plano da comida é tudo mais claro. Há pessoas que tendem a não-gostar de coisas, de muitas coisas, do ramo alimentar. Não gostam de queijo. Ou de cerveja. Mas quem é que não gosta de queijo ou cerveja? E pensam que é subjectivo. Não é. Estão errados. Existe um eixo de complexidade de sabores, no extremo básico estão os doces, o sabor a açúcar. Não há mérito nenhum em gostar de um torrão de açúcar ou de nutella ou de um chocolate de leite com pasta a imitar cacau. No extremo dos sabores que fazem a vida valer a pena estão coisas como um queijo azul ou um vinho do porto velho ou chocolate negro puro. Nem todos temos de gostar das mesmas coisas, dizem-me. Eu fico pasmado com isto. Acho quando não-gostamos estamos a perder. Os meus não-gostos a nível de comidas por exemplo, são sempre um reconhecer de uma derrota. Depois há as coisas que nem experimento, como carne de cavalo, mas por razões estúpidas, como gostar de cavalos. É uma escolha não gostar. Eu escolho não fazer um esforço para gostar de ópera ou perceber de jazz. Tenho mais que fazer. Não conheço ópera. Não vi ópera. Contudo, se gostasse de uma rapariga que gostasse de ópera e me quisesse mostrar ópera, era pessoa para aprender sobre ópera e ver ópera e não tenho qualquer dúvida de que gostaria de ópera. E que dentro da ópera haveria algumas que eu iria preferir ou que eram mais bem encenadas ou sei lá que raio são as coisas que mudam numa ópera. Por isso é uma escolha não gostar, não podemos aprender tudo, infelizmente. Mas não acho que os “não-gostos” sejam uma emanação de um eu muito sólido, como se estivesse escrito no ADN que pessoa A não gosta de futebol e pessoa B não suporta queijo e isso fosse uma inevitabilidade, um traço de carácter que o define e torna original. O único traço que sobressai é falta de curiosidade, preconceito etc. Não se pode ser muito assertivo nos não-gostos de coisas como queijos, como se um não-gosto fosse o negativo de um gosto. Não é. Quem não gosta de queijo ou vinho deve ter vergonha, como alguém que diz que não gosta de ler ou ouvir música. Tenho dito.

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4 thoughts on “não gostos

    1. Ah, calma calma, o equivalente aqui é dizer “eu não gosto de cinema” e não é o caso! E é a minha ignorância da Nouvelle Vague que me permite este tipo de generalizações abusivas e engraçadas como muito bem desmascarou o pupou. Se eu namorasse com ele, ele dava-me uma caixa de filmes da nouvelle vague e teria certamente interesse por alguns, mas depois já não podia fazer textos com piada.

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