filmes que me esforço para evitar ao máximo

Biopics de artistas, especialmente pintores, seguidos de escritores e por último músicos. Todos a evitar, a evitar com energia, com zelo, com assertividade.

Filmes premiados pelo Sundance film festival. Já percebi a cena do hispters. É um conceito americano. Nos EUA eles existem mesmo assim como nas caricaturas que vemos na internet. Em Portugal é preciso algum esforço para encontrar hipsters a sério. Nos EUA costumam fazer filmes ou ter bandas. Os filmes vão parar ao sundance film festival e as caixas dos filmes ficam com aquelas merdas dos louros e parecem bons.

Não são.

Filmes com voz off que dure mais de 1 minuto após o início. Aquele tipo de filme que está sempre a recomeçar e a recomeçar com música e com a voz off e que durante 120 minutos nunca mais se transforma num filme.

Filmes do Wes Anderson.

Filmes com o Matthew McConaughey (nem no interstelar me consegui abstrair do mau acting)

Comédias de natal com o Hugh Grant.

Comédias de natal.

Filmes portugueses. Aqui reconheço que estou errado e que há filmes certamente bons e que isto é um mecanismo de defesa desde o trauma de nos anos 90 ter visto (na tv) o Pesadelo Cor de Rosa com a Catarina Furtado e o Diogo Infante e ter ficado dois dias em coma. Este arabian nights por exemplo, do Miguel Gomes, parece prometer coisas boas, se ele não for de esquerda, pelo menos é do benfica, isso é bom, mas tenho de vencer tantas camadas de resistência que não sei se vale a pena o sacrifício, é um pouco como ter um date com uma mulher que não bebe e ter de beber sozinho enquanto ela lança olhares de recriminação e depois de apreensão.

Filmes do Kusturica. Já foi o meu preferido, o Custorika, quando era jovem inconsciente. Os filmes do Kuskukika representam para mim um “eu” que agora eu simplesmente desprezo e de que me envergonho. Eu já fui assim, já fui uma pessoa que se encantou por truques e espalhafato desde que alternativo e aciganado.

Filmes franceses e ingleses neo realistas, aquela coisa dos subúrbios, do emigrante, do trabalhador, da opressão, dos pubs, das forças da lei e da ordem, dos comboios, da gaja boa assediada num túnel com grafitis, os cigarros, os dilemas morais do jovem margin… não.

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18 thoughts on “filmes que me esforço para evitar ao máximo

  1. ahaha, louvado seja o Tolan, voltaste 🙂
    A bebé é muito fofinha, lá isso ninguém lhe tira, mas eu farto-me de rir quando escreves estes com piada ácidos

    1. não, mas é preciso generalizar e ser simplista e contar com a amnésia da média dos leitores para se fazer um blogue produtivo. Aliás, a história da voz off nos filmes é uma coisa que escrevi exactamente 6 vezes desde que tenho blogues desde 2003.

  2. o que é que sobra, filho? Um dos melhores filmes que vi ultimamente ganhou Sundance, chama-se The Skeleton Twins e tem uma das mais belas cenas de cinema de sempre. Nothing’s gonna Stop us Now. Espero que a idade não tenha feito de ti um cínico, seria um enorme desperdício de identidade… Mas respeito-te os nervos, juro…

    1. E os filmes do Hal Hartley, também os achaste fantásticos quando tinhas 18 anos e agora olhas para eles e tens vergonha alheia (excepto o trust)? E o Magnólia? Também gostaste? Eu gostei muito do Magnólia. Melhor filme de sempre. Melhor cena ou cenas de sempre. Sobra muita coisa no cinema americano, mesmo no independente, como o Cassavetes, o Lynch, o Woody Allen, até o idiota do Vincent Gallo é muito bom. Aliás, nem de propósito, fui só confirmar se o Vincent Gallo alguma vez tinha ganho Sundance e apanhei esta citação muito engraçada dele: “I want to make a film with a handicapped Black Jew lesbian main character so I can win at Sundance.” Nuff said.

      1. não são só esses que disse, como é óbvio, há bom cinema americano actual, esqueci-me do Cronenberg, o que me ofende particularmente no Sundance é o conceito extremamente provinciano e new age do mesmo e que gera mesmo um tipo de cinema particular que eu já comi dezenas de vezes e que se inspira muito em cinema europeu e referências europeias e que se julga contra-cultura mainstream mas que depois bem escavadinho é uma espécie de starbucks alternativo politicamente correcto e pseudo. Cheguei a ver um o ano passado que tinha mesmo uma mulher a ler Henry David Thoreau em voz alta! Isto em 2014! Meu Deus!

      2. adorei o magnolia, o cruise não fará outro papel igual na vida dele, mas não voltei a rever, pelo que é provável que tenha mudado de opinião e não saiba ainda. Quanto a esses nomes que estás para aí a falar, só conheço o Woody Allen… E foi preciso fazer-me mulherzinha para lhe achar graça. Não faço ideia quem é o Gallo, só conheço o azeite, por isso, se me tomas por off mainstream podes ver que estás bem enganado.

        Quanto ao cinema europeu, és tu quem o vê dessa forma, eu vejo-o, na grande maioria das vezes, como uma lufada de ar fresco, a uma coisa mais realista, mais pé no chão, não deixando de ser mágica ao mesmo tempo. Quando me cheira a pseudo seja o que for, dá-me logo engulhos e mudo de canal pra ver o Hugh Grant…

  3. Carago, claro que conheço o Lynch e o Cronenberg…, mas nenhum dos dois me enche as medidas por aí além, por diversos motivos que agora não te consigo explicar, tinha de ir fazer uma pesquisa e não tenho tempo. mas eu e tu estamos fadados ao desentendimento no que ao cinema diz respeito, eu adoro o Johnny Depp e o Tim Burton. Talvez cheguemos a acordo quanto ao Jack Nicholson e ao De Niro? Coppola??? Tenho essa esperança…

  4. em “true detective”, uma série penso que da hbo, entra o Matthew McConaughey e é muito bom. quanto a “intertsellar”, enfim, já o “inception”, que é do mesmo realizador, também me tinha desiludido. tanta “complexidade” acaba por ser pueril.

    de resto, concordo em absoluto em relação aos biopics (aliás, tudo o que resvale ou ande perto do biopic ou biografia ou perto disso é de evitar).

    os filmes do sundance estão para o cinema como o b-fachada para a música e que cada um tire as suas conclusões sobre isto se quiser. simplesmente há coisas que não percebo. até me esforço e tenho boa vontade, sou moderado e um admirador do regular funcionamento das instituições e da liberdade de expressão, mas…

    o “pesadelo cor de rosa” não é um filme em que a catarina furtado e o diogo infante falam em inglês? se for esse… epá, pior que uma lobotomia!

  5. O Matthew McConaughey vale, acho, mais do que os papéis que geralmente interpreta. Vi-o francamente bem no “True Detective”, como referiu o Satirical project!.

  6. Reparo que não referiste rejeição a musicais. Vais ter que ver musicais, muitos musicais e nem vale serem só coisas satíricas, tipo ‘The Producers’ ou trendy tipo ‘Sweeney Todd’.

    West Side Story rules 😉

  7. de repente, o matthew mcconaughey é ‘o’ actor. nao percebo todo o hype à volta dele. para mim continua é o mesmo actor medíocre que sempre foi, nem que ele tenha mais oscares do que as mãos e pés dele podem segurar. isso do true detective também é o novo breaking bad, nao? toda a gente adooooora.

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