vida russa

Li, como muita gente, muitos romances e contos russos do século XIX. Dostoiévski, Tolstoi, Gogol, Leermontov ou Tchekov, todos clássicos. Li também as análises críticas de Nabokov e prefácios e postefácios deste a algumas obras.

Uma amostra de autores de um período ainda assim restrito e geograficamente circunscrito, acaba por resultar em vários efeitos curiosos a que volto de cada vez que leio mais um. Um deles é por poder dizer que sou uma pessoa literatura russa XIX, gosto da seriedade, da gravidade destes temas, da intensidade. Está – para mim – nas antípodas de um Proust ou um Joyce por exemplo, autores que me são completamente indiferentes e que parecem nascer de um tédio existencial qualquer.

Outra coisa curiosa é ver a mesma S.Petesburgo, a mesma ópera, o mesmo serão em sociedade, o mesmo samovar, o mesmo mujique,  a mesma princesa, as mesmas paisagens russas, tudo isto descritos por diferentes mentes e de diferentes prismas, ao ponto de julgarmos ver muitas Rússias diferentes. Já cheguei ao ponto de comparar datas de escrita de romances diferentes para me certificar se uma década ou duas de diferença poderia produzir resultados tão díspares na situação. É um pouco como as pessoas que passeiam pela baixa de Lisboa. Uma pessoa de direita reparará num edifício que está a ser remodelado para se construir nele um hotel e verá nisso progresso e emprego. Uma pessoa de esquerda verá turistas mal vestidos e desregulados e ficará muito zangada quando um pombo lhe cagar em cima depois de um tuk tuk quase o atropelar.

Também vemos as mesmas questões debatidas uma e outra vez, especialmente pelos espíritos atormentados de Tolstói e Dostoiévski. Os dilemas políticos e filosóficos postos de forma tão fundamental e viva por personagens diferentes, que vão desde o ateu suicida ao crente fundamentalista, o latifundiário que tenta organizar o cultivo, o proprietário que pensa numa repartição justa da riqueza, o capital, o comunismo, o estado, as escolas, o exército, a burocracia, os esforços de lei e ordem sempre com um fatalismo vis a vis a realidade europeia que surge aos russos como a civilização que eles tentam copiar, mas por outro lado como não adaptada à essência russa etc.

[inserir conclusão]

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7 thoughts on “vida russa

  1. Porque será que não aparece no meu? será porque é domínio (eu uso o wordpress porque o blogger é uma merda nisso de transferir posts para domínios próprios, o processo foi criar um wordpress primeiro)? no blogger sei que é opcional, tens de dizer que queres, selecionar a opção… Nos blogs wordpress, nem mesmo no teu, nunca tinha visto. Sei que eles são aleatórios, tu não os escolhes, depende do que escreves ou lá o que é, é mecânico… Imagino que já tenhas tentado resolver… Sorry.

  2. Só reparei nisso aqui no teu blogue, hoje. E, só vejo os anúncios – 4 rectângulos irritantes – se estiver com a caixa de comentários aberta, voltando à página inicial desaparecem…melhor assim, mas é realmente um abuso, acho!

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