muitas pessoas

Muitas pessoas dizem que eu antes é que era bom, há 10 anos, há 5, etc. e foi graças a isso que percebi o problema – embora à devida escala – que aflige alguns criadores regulares. Eu sei é que não tinha mais piada há 10 anos, escrevia muito pior, dava ainda mais erros e não tinha estrutura. Em 10 textos havia 2 ou 3 bons, mas inconsistentes. O maior defeito talvez tenha sido não ter desaparecido, podia tê-lo feito, mas optei sempre por renovação, incluindo o deixar de ser anónimo, simplesmente por uma questão de quero que se fodam em detrimento do interesse artístico (no meio blogue, o anónimo funciona melhor, reconheço). O certo é que as gentes do povo têm é saudades desse tempo, dessa descoberta, dos blogues em geral, e da minha companhia nesse tempo, mas têm sobretudo saudades desse tempo e delas próprias.  Naturalmente, um texto que comoveu ou fez rir em 2004 ou 2008, suficientemente bom para ainda ser recordado, ocupa um lugar muito mais especial do que qualquer coisa que faça agora e é por isso que tudo parece sempre piorar. Costuma ser mútuo, os grandes bloggers como o maradona, o casanova ou o recentemente mais desaparecido alf já se eclipsaram e falo destes e mais uns poucos porque muitos da primeira leva eram maus para os padrões de muitos blogues de hoje, simplesmente estavam na crista de algo novo. Outros mantêm blogues moribundos comparados com o que eram ou então transformaram o blogue em máquina de passatempos e interacção com fãs e marcas. Sobraram poucos heavy weights como o Pipoco por exemplo. Como a minha relação com os blogues foi sempre algo de respiração e obstinação semelhante à que aplico em ultramaratonas, ter hoje 1/4 dos leitores que tinha e das fãs que tinha, é-me quase indiferente, quase, leva-me  reflectir, por vezes, nas coisas. Não atribuo isso ao declínio dos blogues enquanto meio, para isso seria preciso perguntar ao Pipoco se tem menos leitores que há 10 anos e não a um blogger que mudou 3 vezes sem deixar rasto. É extraordinário ter de enviar umas 3 ou 4 vezes a uma pessoa o link do meu blogue quando essa pessoa dizia que eu era genial (e ainda diz, pelo meio de desculpas) e quando escrevi toneladas de coisas a pensar nela. Também perdi amigos por exemplo, porque se desinteressaram de mim, talvez porque eles próprios também se desinteressaram da escrita e as coisas estavam ligadas ou então simplesmente porque são de esquerda e não perdoam que eu lhes deseje que levem um encontrão de um paquistanês a vender selfie sticks que lhes faça deixar cair o cravo da lapela e passe um tuk tuk por cima do cravo e o esborrache em frente a um hotel novo. Outras, porque as engravidei e tivemos um filho e nos separámos. Outros  sugerem-me o twitter, é lá que andam. Já tentei, já vi. Não gosto, implica muita interacção e eu demoro mais a limar os 140 ou coiso caracteres do que a fazer 1 página.

Claro que penso em apagar este blogue ou acabar com ele, regularmente, mas também isso é cíclico e não significa o fim. O fim definitivo é quase sempre um blogue que não é actualizado mas anda está online como se isso fosse acontecer amanhã, como muitas decisões, muitas decisões que muitas pessoas não tomam.

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32 thoughts on “muitas pessoas

  1. Está tudo muito correcto, mas queria salientar que o rapaz repelente de esquerdolas (como eu), tudo o que parece pedir, bonacheirão, é um iogurte de aromas e um beijinho. Por outro lado, não podes colocar ali a Furiosa, que ela rebentava com isto em 3 tempos. Resumindo, escreve e deixa-te de exigências alheias, escreve quando, onde e o que te apetecer, que nem és um direitolas perigoso. Digo eu, mas como o que eu digo aos outros não se escreve, também vou mantendo aquele que será (?) o meu 5º blogue, péssimo, obviously, mas que me permite espernear, às vezes ficar alegre e, claro, interagir com pessoas diferentes.

    1. Aaaaaaaaaaaaaaaalf!

      Concordo, ha 5 anos eras melhor. Estavas apaixonado, ou em vias disso, querias conquistar a mommy da Julia e, por arrasto, Tolan fazia suspirar milhoes de fas.

      Agora, desde que te tornaste ultra-maratonista e passas a vida a publicar fotos horriveis de bolhas nos pes, o fan clube dispersou. Mas do que eh que tu estavas ah espera? Geeez.

  2. Experimenta colocar, então, a ferrugenta, e eu digo-te tudo o que falta para compôr a imagem como ela existiu…ou não, basta o adjectivo que, aliás, já a caracterizava em vida, tipo toque de midas :p

  3. Há alguém que segue a tua escrita desde os tempos da tasca. (Eu disse segue a tua escrita, não tu enquanto pessoa. Isso pareceria de stalker.) Podes perguntar-me coisas sobre a perceção tua escrita que eu respondo.

      1. Não sou o Doutor Segismundo Freud, não te preocupes. Seria uma coisa mais à cartomante com uma bola de cristal à frente eheheh

  4. Também te sigo sempre Tolan..E olha que não foi fácil reencontrar-te. Ainda por cima estás cada vez mais de direita..o que nunca é bom. Yet, still a fan..:P

  5. ouve, não vivo do que escrevo (felizmente, foda-se!), mas dou por mim a ter medo de parecer um esquizofrénico online e só por isso filtro 80% de merda inútil no meu blog, prefiro nem publicar do que alterar. tenho poquíssimos seguidores o que facilita a minha despreocupação noutros casos. mas eu mantenho o blog exclusivamente para escrever o que me apetecer, é estranho o vício vergonhoso que sinto nos comentários favoráveis ou num novo seguidor que lê o blog de uma ponta à outra, e é isso que sentes de certeza, mas não acredito que te preocupe realmente porque não tens um blog comercial, só te podem interessar as pessoas que se interessam por ti, mesmo que isto soe a frase do Albert Einstein em jpeg. é um facto, fizeste o blog para pessoas que gostam do que escreves, seja lá a merda que for, mesmo que seja uma dissertação sobre os benefícios culturais do neoliberalismo. o resto são preocupações sociais comuns de não defraudar expectativas. mas sabe bem lutar contra isso.

    acho que te libertaste um bocado com o novo blog, é mais íntimo, dou por mim a ter mais vontade de participar nos textos lamechas acerca da tua filha porque simpatizo com a causa, mas não são de todo os textos que prefiro. acho que o melhor mesmo têm sido os textos acerca da depressão da separação, ahah … desculpa, mas sou fascinado pelo sofrimento amoroso na idade adulta, aliás, estou secretamente à espera do meu próximo terramoto para voltar a escrever em condições. se não te tivesses separado hoje escrevias um post por trimestre como eu, acerca de banalidades.

  6. Já te leio há uns 10 anos, desde o tempo de gloria dos blogues, vinda atraves da vara e, apesar de te ver só esporadicamente em jantares de amigos comuns, tens feito parte do grupo de blogues e bloggers que sigo. Já te li apaixonado, desapaixonado, de luto, feliz, triste e isso é a vida. Foi num post teu que vi uma gata tocar piano 😀 e noutro em que descreveste um dia intenso de sol em Lisboa como “uma cidade forrada a papel de prata”. 🙂
    Admiro-te a coragem em manteres um blogue ainda por cima com o teu nome. Tenho um, fechado. Ninguém a não ser eu o lê. Tive um há mais de 10 anos e sofri com alguns stalkers e pessoas que não aceitavam o que escrevia. Ainda hoje sou criticada por coisas que escrevo no meu FB. Que se lixem.

    Continua a escrever, por favor.
    (Desculpa, deve ser das férias, sou por regra leitora calada mas ultimamente tenho comentado demasiado para o que é meu costume.)

  7. Não podes comparar os tempos… e n estou certa de q o pipoco pertença aos mesmo tempo do maradona, e é facto q os blogs estao mortos e ng em 2015 lê blogs como dizias no teu subtitulo ate ha bem pouco tempo e que os blogs hj sao outra coisa qq diferente da q eram em 2003, tenho pena de n te apanhar dessa epoca, o meu eçazinho existe desde 2005, mm endereço, mm blog nisso sou como tu, dane-se. o q sao n sei, pro que serve o meu tb nao, q nc foram levados a serio em pt e continuam a n ser, continuam, o q é lamentavel, pt é o unico sitio em q um blogger enqto agitador de massas e opinion maker n funciona, curiosamente, funciona em modo alice no pais das maravilhas, às 9 e tais e meio de vender cenas, pipocas e tais. desculpa a preguiça da falta de acentos, fui beber uns gandas copos e ja n fazia isto ha imenso tempo, mas eu gosto do tolas e do lourenço, embora achasse o tolas mais honesto, dentro de cada genero de tolas, mas sempre honesto. e concordo ctg, anonimato da mais liberdade, mas sinto cada vez mais o lourenço a aproximar se do tolas, so precisas que o tolas tome mais conta do leme, sem medo nem vergonha, mas entendo perfeitamente qq das posturas q adotes. bjos, e ao tolas e à Julia.

  8. Na minha perspectiva de blogs, sempre vi a coisa um bocado como se fosse o showrunner de uma série, em que lhe posso dar um cunho mais fantasioso ou mais reality show, experimentar cenas e por aí em diante. Mas tal como todas as séries, quando acho que passámos do ponto em que aquilo faz sentido tal como é, põe-se um fim à coisa.

    Às vezes, por razões sentimentais, custa um pouco, aqui e ali criou-se um círculo com algumas ligações mas é o que faz sentido e há sempre formas de dar continuidade à coisa. Mas, sendo a escrita uma parte do meu trabalho, também tenho a noção que a minha relação com blogs pode ser diferente de outros, que têm aqui o ponto fulcral da sua expressão escrita (ou do desabafo).

    Acho que é interessante a mesma pessoa ter blogs diferentes com facetas diferentes e que isso seja um espelho de uma evolução pessoal que não tem que viver sempre na mesma url, mas também acho muito curioso que ainda hoje a expressão ‘On the Internet nobody knows you’re a dog’ se aplique muito aos blogs – há quem acredite em tudo o que é posto em blogs, há quem queira continuar a ler a mesma história, o mesmo esquema, os mesmos truques de posts que resultam – é um bocadinho estilo Paulo Coelho ou o Sparks – fórmula vencedora que sobrevive. E aí prefiro ser tipo Attenborough e ir (re)visitando capelinhas e ver como as coisas (não) mudam.

    A história de ‘antigamente’ é que era bom não me convence porque me parece mais daquele género de alusões que se fazem quando há jantares de turma e reuniões de amigos do passado. Tens as pessoas que recordam aqueles tempos com alegria, mas vivem também o presente com entusiasmo e depois tens as pessoas que se agarram a esses convívios para sorver tudo o que o passado tinha de bom, de épico, de fantástico, porque no presente não encontram nada que lhes dê alento.

    Dá para encher isto de metáforas e analogias mas pronto, prefiro ter sempre a ideia de ciclo com a criação de algo novo que também seja meu, a querer navegar no conforto daquilo que já construí mas que hoje em dia já não me diz muito, especialmente se a decisão for – lidar com ‘mundo dos blogs’

  9. Eu sou uma leitura assídua mas que raramente comenta. Quando o Tolan mergulhou na inércia senti um vazio. Todos os dias lá passava a aguardar a ressurreição. Quando te reencontrei aqui o meu coração até deu um saltinho ( e não foi nenhuma extrasistole que eu tb sou atleta e nunca saio do meu ritmo sinusal vagaroso). Não tenho jeito para uma escrita cheia de metáforas, eufemismos e observações mega inteligentes e armadas ao pingarelho e, por isso, deixa-me lá ser directa. Gosto mais de “ti” agora. Muito mais!

  10. eu gosto tanto de ti agora como antes. não te conheci antes antes. só antes. e antes eras bom. e agora és bom também.
    realmente isto dos blogs é um bocado 2008. lembra-me um bocado a cena de ainda ouvir metal e sentir-me um daqueles metaleiros decadentes nos concertos no meio dos putos. se calhar estou um bocado parada no tempo, mas eu gosto realmente de ler blogs e tenho pena que a maioria das pessoas inteligentes que eu seguia tenham parado de escrever. lembro-me de quando eu chegava ao reader e tinha dezenas de posts para ler diariamente. dos que eu lia nessa altura, ficaste tu e mais 2 ou 3. entretanto encontrei mais alguns de que gosto, mas nota-se que não há aquela dedicação (obsessão? competição?) que antes havia.
    lembrei-me de ir ao nao gosto, agora abandonado, por falta de tempo e por falta de inspiração (ou de raiva, quem sabe) e vi lá links para blogs que já nem sequer me lembrava que seguia. e aqueles já foi na fase má, depois de vários outros terem acabado.
    mas também dei de caras com um blog que fiz uma tentativa de manter (durante 2 dias…) depois do nao gosto que já nem me lembrava que existia. e como ultimamente tenho tido muitas opiniões, vou voltar a escrever lá: ograndelivrodoscliches.blogspot.com. sê bonzinho e vai visitá-lo para não me sentir a falar sozinha 🙂

  11. Mais uma(s) coisa: tenho pena que o Menino tenha desaparecido, Zé, hei-de sempre gostar de te ler (não importa se publicas um ou cem textos por ano).

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